Após um inicio cambaleante, o Brasil cresceu na competição e conquistou nesse domingo, no ginásio Palalottomatica em Roma, o título de tricampeão mundial consecutivo (2002, 2006 e 2010) de vôlei masculino ao vencer o time de Cuba com relativa facilidade por 3 x 0 com parciais de 25/22, 25/14 e 25/22. Na véspera os comandados de Bernardinho já tinham derrotado a anfitriã Italia por 3 x 1 (25/15, 25/22, 23/25 e 25/17) em um jogo marcado por provocações de jogadores italianos e vaias da torcida local mostrando que nosso time sabe jogar muito bem sob pressão.
Nas premiações individuais, o ponteiro Murilo foi eleito o melhor jogador da competição (MVP – most valuable player), repetindo Giba que havia ganho essa premiação em 2006. Vissotto e Lucão são as novidades desse time, em constante renovação, enquanto que Bruninho deixou de ser somente o filho do técnico para se firmar como um dos melhores do mundo em sua posição.
Com um saque forçado, especialmente do ponteiro Murilo, o time brasileiro desestruturou a recepção cubana. Dante e Vissotto estavam num dia excepcional marcando vários pontos de ataque e explorando o forte bloqueio cubano. A jovem e renovada seleção cubana acusou
o golpe mostrando sinais de nervosismo. Ao tirar o levantador titular e substitui-lo por Diaz, Cuba esboçou uma reação estando a frente no placar por algumas vezes, mas o sexteto verde e amarelo logo conseguiu reverter o placar não dando chance aos caribenhos.
Esse título tem um sabor especial para o Brasil, tendo em vista os vários problemas médicos e físicos enfrentados por Murilo, Vissotto, Marlon e Bruninho durante a competição. Alias, Bruninho era dúvida até 20 minutos antes de iniciar o jogo da final depois de machucar o tornozelo esquerdo na semifinal contra a Italia. A seleção também foi muito criticada e hostilizada pela torcida e imprensa italiana pela derrota sofrida contra a Bulgaria, no qual teria entregue o jogo, expediente também utilizado por Estados Unidos e Rússia, por conta de um regulamento estapafúrdio que favorecia o segundo colocado do grupo. Na ocasião Bernardinho resolveu poupar o levantador Bruninho, já que Marlon estava afastado por problemas médicos, e colocou o ponteiro Theo em seu lugar. Aliás, pairaram suspeitas nesse mundial de que o regulamento e a escolha das chaves teria favorecido a seleção anfitriã, Italia. Dirigentes da FIVB já declararam que o regulamento da competição será revisto para o próximo mundial a ser realizado na Polônia em 2014.
A união do grupo e a ausência de estrelismo chama a atenção nesse time. Ninguém reclama
de ser substituido, todos jogam em prol do grupo. Símbolo disso é o atacante Giba, que pouco atuou como titular nesse torneio, mas estava sempre a beira da quadra incentivando e dando dicas a seus colegas.
O Brasil fecha a década com chave de ouro, confirmando a hegemonia brasileira no voleibol. Esses resultados não vem por acaso, mas são frutos de uma gestão esportiva eficiente, de modelo empresarial, com foco no planejamento, investimento nos times de base e campeonatos internos competitivos. A exemplo disso, O Brasil conquistou ano passado, na India, o mundial juvenil masculino de vôlei. A estratégia é ter uma renovação constante, mesclando jogadores experientes com os novos talentos que vem das categorias de base.
É isso ai, o vôlei continua nos dando alegrias e dependendo da CBV vai continuar assim por um bom tempo. Agora estaremos torcendo pela seleção feminina de vôlei no campeonato mundial que se inicia dia 29/10 no Japão.
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