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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Entrevista | Alexandre Simoni

Entrevistamos Alexandre Simoni, ex-jogador de tênis, chegou a ser o nº 96 do mundo, no ranking ATP.  Ele conta um pouco de sua carreira, dá bronca nos dirigentes e muito mais, confira abaixo: 

# Conte-nos um pouco da sua carreira.
Minha carreira tenística começou aos 10 anos, antes eu jogava futebol em um clube e comecei a me interessar pelo tênis por influência do meu irmão e meu pai que na época já jogavam, assim como todo filho caçula e irmão mais novo segui eles e deu certo. 

# Qual o momento inesquecível ?
Acho que não teve somente um momento inesquecível, afinal são tantos anos e torneios que fica difícil de escolher, então vou falar alguns que nunca esquecerei.
Primeiro, meu primeiro troféu com 10 anos, vou lembrar para sempre, meu primeiro troféu como profissional também, ver seu nome entre os TOP 100 não tem preço, é muito saber que você alcançou um ranking muito alto, jogar Grand Slam ( Australian Open, Wimbledon e US Open ), Masters Series de Miami, minha estréia na COPA DAVIS, é demais defender seu país, seu nome ser cantado no estádio, não tem explicação, é uma sensação inexplicável, entre outros momentos inesquecíveis são as vitórias sobre jogadores top: Fernando Gonzalez, Guillermo Coria, Guillermo Canas, David Nalbandian, Flavio Saretta, Andre Sá, Ricardo Mello, Jaime Oncins, Franco Squilari, Nicolay Davidenko, Marat Safin, entre outros..  

# E uma situação perigosa que você tenha passado ?
Graças a Deus, nunca passei por nenhuma situação perigosa, mas passar muito mal e ir para o hospital, passar fome e emagrecer 5 kilos em 2 semanas, viajar em aviões caindo aos pedaços, ficar em hotéis sem condições nenhuma, entre outros episódios, isso já passei algumas vezes.  

# Como era conciliar as viagens com a vida pessoal ?
Viajar e conciliar com a vida pessoal era bem tranqüilo, pois sempre tive apoio dos meus pais e irmãos, então ficava mais tranqüilo, a parte ruim da história era ficar muito tempo longe da família, amigos pois tinha de viajar muito tempo durante o ano, em média 30 semanas, essa era a parte mais complicada pois era você, sozinho, e mais ninguém do seu lado.  

# Você diz no texto que publicou no seu blog: “Outras pessoas e até ex-jogadores sempre estão à disposição e nunca são procurados (para ajudar sobre o tênis)”. Como os ex-tenistas poderiam ajudar ?
Acho que aqui no Brasil, os ex-jogadores não são valorizados, todos tem um currículo que poucos tem e poderiam ajudar e muito o tênis, mas o que se vê é o contrário, são poucos que estão realmente dentro da quadra para ajudar, então fica difícil, sem tirar os méritos de quem esta ajudando, mas uma coisa são pessoas que vivenciaram durante muito tempo aquilo, sabem o que precisa ser feito e podem cortar caminhos para os que estão começando e os outros tem vivencia de onde? Clube? Academia? Ver pela televisão? O buraco é mais embaixo, é só ver nos outros países, a maioria dos treinadores quem são ? A maioria é ex-jogador que jogaram alto nível. 
Poderíamos ajudar de alguma forma dentro da quadra dando treinos, mas tem de estar na quadra, se não, não adianta. O Larry, por exemplo, olha o trabalho dele, ele esta o tempo todo lá dentro, o Jaime Oncins esta lá dentro também, Ricardo Acioly esta lá dentro, entre outros poucos. Mas é cada por si, sem ajuda de ninguém, é o caminho que resta, e o futuro do tênis brasileiro, qual será ? 

"Eu estou a disposição para ajudar (o tênis brasileiro), enquanto ninguém procura, continuo fazendo meu trabalho"
 
# Você diz também que o tênis brasileiro está desunido. O que poderia ser feito para que essa união voltasse ?
Essa parte é complicada, prefiro nem falar muito, pois é um meio que meu Deus do céu...Sou da seguinte opinião: uma coisa é ser profissional e por em prática, as pessoas, independentemente se você gosta ou não, se é seu amigo ou não, tem de fazer parte do negócio, pois é para o bem do tênis e claro, para a gente também, os que não estão no mesmo nível precisam trabalhar mais para estar no nível dos outros um dia, assim como em todas as profissões, mas infelizmente, aqui no Brasil, é cada um por si e se você for amigo, entra no esquema, faz parte da panela, se não, está fora...  

# Você acha que os ex-tenistas fazem pouco para ajudar o tênis ?
Acho que sim, não sei o que os outros pensam, mas eu estou a disposição  para ajudar, enquanto ninguém procura, continuo fazendo meu trabalho, dando minhas aulas e treinos, vou fazer meu 3* SIMONI TENNIS (torneio) e sigo minha vida...  

# O Fernando Meligeni tem um blog que chega a ter picos de 10.000 acessos ao dia (média de 5.000 acessos). Você acha que isso pode ser considerado uma boa divulgação para o esporte ?
Acho que a mídia faz parte da divulgação do esporte, mas sinceramente, não acho que faz diferença enquanto o esporte não chegar, por exemplo, nas escolas, projetos sociais, mostrar para o povo que o tênis é possível para todos.

"É a melhor sensação possível para um jogador profissional, um sonho realizado e o sentimento de dever cumprido por treinar muito, chegar longe e poder representar seu país em uma competição mundial, saber que você foi escolhido entre todos os Brasileiros para jogar pela seleção de seu país, é  gratificante demais"

# Hoje temos 3 tenistas no top 100, número inferior parecido com que tínhamos na época do Guga. O tênis brasileiro parou no tempo ? O que precisa ser feito para que possamos voltar a evoluir ?
Na época só para corrigir eram 5 top 100: Guga, Meligeni, Andre Sá, Alexandre Simoni e Flavio Saretta..
Não acho que o tênis brasileiro tenha parado no tempo, o que eu vejo é que durante algum tempo ninguém queria saber de nada com nada, treinar que era bom,de jeito nenhum, estar focado no tênis e ser um grande profissional envolve muitas coisas e ninguém queria nada com nada, agora, aos poucos, a mentalidade, o foco, a determinação estão voltando e voltamos a ter 3 jogadores no topo 100, mas vale ressaltar que 2 já passaram dos 30 anos e não vão jogar durante muito tempo, e ai o que será feito para voltar a ter mais top 100?  

# Você viu a derrota do Brasil para a Índia na Davis ? Foi doída, não ? O que acha que faltou para aquele grupo ?
Na verdade fiquei sabendo da derrota, não acompanhei os jogos, pois era de madrugada. Doí sim, já joguei Copa Davis por 3 anos e sei o sentimento de uma derrota, faz parte e tem de levantar a cabeça e seguir adiante, o que faltou para grupo? Difícil falar, quem estava lá pode dizer melhor.  

# Como é representar o Brasil na Davis ?
É a melhor sensação possível para um jogador profissional, um sonho realizado e o sentimento de dever cumprido por treinar muito, chegar longe e poder representar seu país em uma competição mundial, saber que você foi escolhido entre todos os Brasileiros para jogar pela seleção de seu país, é  gratificante demais. Tive o privilégio de participar por 2 anos do Grupo Mundial, é demais, não dá para descrever, só quem já jogou que sabe o que senti dentro da quadra.  

# E sobre o Thomaz Bellucci, você acha que ele tem tênis para ser top 10 ? O que falta para ele chegar lá ? Acha que a parceria com o Larri pode render frutos ?
Acho que ele tem potencial para melhorar sim, mas precisa melhorar muita coisa ainda, movimentação, slice e variação de defesa, variações de fundo de quadra, voleio, variar mais o saque, ou seja , precisa ser um jogador muito diferenciado em alguma coisa para estar no top 10, só depende dele e do Larri, a motivação e a pessoa certa ele tem do lado, vamos torcer...

# O que você diria para alguém que está começando a carreira agora ?
Acho que basicamente quem estiver começando a jogar, o mais importante é entrar na quadra e curtir estar nela, jogar com prazer, treinar sério, escutar o treinador e estar bem concentrado no que precisa fazer, os resultados são uma conseqüência de suas atitudes e esforço, vale a pena..

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Entrevista | Everaldo Marques

Entrevistamos um dos maiores narradores da nova geração, Everaldo Marques, ele fala um pouco sobre sua carreira, como se prepara para uma narração e conta de fatos inusitados na sua carreira.

Espero que gostem.

# Como você começou a sua carreira ? Você sempre sonhou em ser jornalista e narrador ?
Comecei a carreira em 1996 na rádio Jovem Pan, como produtor. Depois, fui apresentador e repórter (cobri F-1 por três temporadas). No fim de 2004, saí da Jovem Pan porque queria uma oportunidade como narrador, meu sonho de infância. Como essa chance não chegou na Jovem Pan, saí para a TV Cultura, por um contrato de um mês, transmitir os jogos da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Durante o torneio, a TV Cultura acertou a transmissão de mais duas competições, que preencheriam a grade até o fim de 2005. Meu contrato foi ampliado e em agosto daquele ano veio o convite da ESPN, onde estou desde outubro de 2005. No primeiro semestre de 2005, também participei da montagem da equipe esportiva da 105FM, que estreou em abril e em menos de três meses assumiu a liderança de audiência no rádio paulista.

"Normalmente, dedico de seis a sete horas de pesquisa para cada partida da NFL"

# Como você se prepara para uma transmissão de futebol e uma de NFL ?
A da NFL dá mais trabalho, porque são mais atletas. Normalmente, dedico de seis a sete horas de pesquisa para cada partida da NFL, lendo jornais locais, pesquisando estatísticas e curiosidades. Para um jogo de futebol na TV, o tempo de preparação cai para cerca de quatro ou cinco horas.

# Você é um narrador eclético, narra de tudo, basquete, beisebol, futebol americano, futebol... Qual deles você mais gosta de narrar ? E de assistir ?
Sou brasileiro, adoro futebol. E gosto muito de fazer rádio também, o veículo através do qual aprendi a acompanhar futebol na infância. Mas gosto muito de transmitir NFL, basquete e ciclismo também. E um dia sonho em ter a chance de narrar F-1, o esporte que mais gostei de assistir na infância e na adolescência.

# Você já gostava de beisebol antes de começar a narrá-lo. Como foi sua primeira narração ?
Tinha um conhecimento bem básico de beisebol quando entrei nos canais ESPN. Como havia 6 meses para o início da temporada, consegui me aprofundar, lendo, assistindo e conversando com gente que conhecia o esporte.

# Qual foi a sensação de narrar um Superbowl In Loco?
Uma experiência especial, e um reconhecimento ao meu trabalho e ao crescimento do gosto do brasileiro pelo futebol americano. Testemunhar e relatar para o Brasil um dos eventos esportivos mais importantes do mundo fica marcado na carreira de qualquer um.

# Qual você considera a maior conquista profissional?
O ano de 2010 como um todo, que teve muita coisa legal. Super Bowl, Copa do Mundo, Milan x Real in loco. Cobertura da Eldorado/ESPN reconhecida por parceiros, concorrentes e pela APCA. Mundial de Basquete, NFL, futebol, ciclismo, rádio e TV. Fiquei entre os dez finalistas do Prêmio Comunique-se mesmo quase sem narrar futebol.

# Você já conquistou tudo o que sonhava profissionalmente?
Ainda não, o que é bom porque a motivação continua a mesma do primeiro dia, para continuar crescendo.

"A TV busca o que dá audiência e brasileiro gosta mesmo é de futebol. Nos outros esportes, o que chama a atenção quase sempre é a chance de torcer por um compatriota."

# Qual ou quais foram as situações mais engraçadas que já houveram em jogos que você estava transmitindo?
Já fiz um jogo do Arsenal pela Liga dos Campeões em que um esquilo invadiu o campo do Emirates. E durante uma Volta da França, um maluco correndo quase pelado no meio da estrada, fantasiado de Borat.

# Dos jogadores brasileiros na NBA, quem você acha que será o melhor na temporada ? Você pensa que o Gregg Popovich está deixando o Tiago Splitter jogar pouco?
O Nenê está tendo uma temporada muito boa, a melhor dele. O Splitter aos pouquinhos vai ter o seu espaço e quando está entrando, tem correspondido.

# Você acha que o basquete é preterido frente ao futebol e o vôlei pela TV brasileira?
A TV busca o que dá audiência e brasileiro gosta mesmo é de futebol. Nos outros esportes, o que chama a atenção quase sempre é a chance de torcer por um compatriota. Então é natural que o vôlei, com tanto sucesso nos últimos anos, tenha mais espaço. Agora vivemos uma febre por Cesar Cielo, maior velocista da natação mundial, como já foi no passado por Guga e Senna.

# Mande um recado para quem está começando na carreira agora.
É preciso ter muita força de vontade para vencer, mas é possível. Trabalhar duro sempre e não rifar o caráter nunca. Pode demorar um pouco mais para funcionar, mas é uma conquista mais sólida.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entrevista | Matt Antonelli

Entrevistamos Matt Antonelli (segunda base) que joga no San Diego Padres time da MLB (Liga profissional de baseball dos Estados Unidos), que conseguiu a primeira rebatida da sua carreira na MLB justamente contra Greg Maddux um dos maiores arremessadores de todos os tempos do LA Dodgers. Confira abaixo a entrevista:



# Fale para nós um pouco de sua carreira:


Minha carreira como jogador profissional de baseball começou em 2006 quando fui selecionado na primeira rodada pelo San Diego Padres. Desde então eu joguei em ligas menores em quase todos os níveis e fiz minha estréia Major League em 2008, contra o Los Angles Dodgers. Nos últimos anos eu tenho lidado com contusões, mas finalmente estou totalmente saudável e estou realmente ansioso para jogar esta temporada.

# Qual é o melhor momento na sua carreira ?

O melhor momento da minha carreira foi fazer a minha estréia Major League em 2008. Era algo que eu estava trabalhando para a minha vida inteira. Naquele jogo eu tenho a minha primeira rebatida da carreira em minha primeira oportunidade do bastão contra o futuro Hall of Famer Greg Maddux, então isso foi realmente emocionante.

# Fora do baseball. Quais seus passatempos ?

Eu sou realmente um grande fã de esportes. Não importa o que o esporte é, eu amo muito todos eles. Eu joguei todos os tipos de esportes desde que eu era jovem, incluindo futebol, basquete, baseball, hockey, futebol americano, e até um pouco de tênis, então eu sempre tive uma paixão pelos esportes. Eu vejo vários jogos da NFL e NBA quando não estou jogando baseball.

# Como você se prepara para uma longa temporada de 162 jogos ?

A temporada de beisebol é definitivamente longa, então eu coloquei bastante trabalho de levantamento de pesos durante o período de off-season (fora de temporada) e preparar meu corpo para uma temporada longa. Eu definitivamente acho que o off-season é a chave para ter uma boa temporada regular.

# Se você tivesse de mudar algo nas regras do baseball. O que mudaria ?

Essa é uma boa pergunta. Eu realmente não sei o que eu mudaria. Eu acho que eu faria a bola maior (risos). Isso com certeza iria ficar mais fácil rebater.

# Qual o melhor jogo que você já assistiu ?

Eu era um grande fã do Boston Red Sox antes. então o melhor jogo que eu já assisti seria o jogo 4 da World Series quando os Red Sox venceu o St. Louis Cardinals para vencer sua primeira World Series em 86 anos.

# Qual na sua opinião é o ballpark mais difícil de rebater em toda a liga ?

Eu não tenho jogado em todos os estádios, mas Petco Park é bastante sensível ao toque para re bater dentro é muito grande na parte exterior do campo e a bola parece não correr muito bem, especialmente à noite.

# Como é para você ter jogo todos os dias e bastante viagens durante cerca de seis meses ?

No começo você sente bastante diferença da sua vida antes e depois de entrar na MLB. Mas ao mesmo tempo é um motivo de honra você estar na maior liga de baseball do mundo. O que mais sinto falta é minha família por isso procuro dar bastante atenção na off-season porque sei que durante a temporada não terei muito tempo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Entrevista | Dari Nowkhah

Entrevistamos Dari Nowkhah, um dos principais nomes da ESPN norte-americana aonde trabalha como ancôra do SportsCenter, fazendo grande parte dos programas sobre College Football, como o College Football Whiparound nas manhãs de sábado na ESPNU, e abordamos temas como NBA, College Football, College Hoops e sobre sua vida, formado na universidade de Oklahoma.


Quem quiser conferir a entrevista original, em inglês, clique aqui.



Confira:


NBA
- Quem é o melhor time da NBA até agora ?


Os Spurs são o melhor time da NBA até agora, absolutamente. A consistência e a incrível liderança dos veteranos que eles vêm mostrando é a razão para esse começo de temporada incrível. Enquanto eles vêm sendo o melhor time ATÉ AGORA, eu continuo sem ter certeza de que eles tem o melhor time da NBA. O Heat e os Celtics parecem ser melhores que San Antonio. Boston, como Santo Antonio, têm mostrado que não são tão velhos assim e vêm demonstrado consistência que podem levá-los às Finais. E mesmo com um começo errático, estamos vendo quanto pode ser bom o time de superstars do Miami Heat.




"Nunca existirá outro Michael Jordan".



- Você acha que o Miami Heat está "pegando fogo". Eles vão ganhar o título da NBA ?


Miami é certamente um dos 3-4 favoritos. O "Big 3" com Wade, James e Bosh está jogando incrivelmente bem, mas eles estão recebendo uma boa contribuição do banco. E quando Mike Miller estiver 100%, acho que ele corrigiria uma deficiência que o time vêm mostrando que é o tiro de fora. Eles são MUITO bons e eu acho que vão vencer a Conferência Leste. Mas acho que, ainda, estão um ano longe do título. Eu ainda prefiro Spurs ou Lakers do Oeste para vencer o campeonato.


- Você acha que Kobe é melhor do que Jordan foi ?


Não, não, não, não, não, não. Michael Jordan é o melhor jogador de basquete da história. Não tenho dúvida nenhuma. Ninguém teve (ou tem) seu atleticismo, confiança, consistência e desejo de receber (e arremessar) a última bola. Além disso, ele foi um defensor incrível. Ele chegou a um nível de defesa que eu nunca vi Kobe chegar. Kobe é um grande defensor, mas MJ foi melhor. Nunca existirá outro Michael Jordan.


- Você acha que o Heat pode se tornar um time imbatível nas próximas temporadas ?


Ninguém pode ser imbatível. Eu acho que eles vão se transformar em um time com 65-70 vitórias, qualquer coisa além disso seria incomum nos dias de hoje da NBA.


- Kevin Durant pode ser considerado um dos melhores jogadores da história ?



Eu acho que Durant pode se tornar um dos melhores de todos os tempos, mas ele ainda precisa desenvolver seu instinto "matador" no final dos jogos. Ele não vêm tendo muito sucesso em arremessos decisivos. Ele também precisa melhorar a defesa se ele quer entrar na discussão "melhores da história". Ele continua muito jovem e com o grupo que ele tem em Oklahoma City, ele certamente tem potencial para se tornar um jogador top 1 ou 2 na NBA de hoje.


- Quem você acha que chega na Final da NBA nesta temporada ?


É muito cedo para fazer uma escolha, mas eu diria que Spurs e Heat estarão nas Finais.


CFB


- Se pudesse, você mudaria as regras da CFB para que houvesse playoffs ao invés de bowls ou algum meio termo ?


Se eu pudesse desenvolver um sistema, eu usaria o atual sistema de rankings da BCS para determinar o top 4, e aí, jogariam o #1 contra o #4, o #2 contra o #3 e os vencedores decidiriam o título nacional. Eu realmente não gosto de playoffs (particularmente 16 times) porque acredito que a urgência e a importância de cada semana da temporada seria perdida. Eu poderia, também, aceitar playoffs com 8 times, mas absolutamente não mais do que isso.


- Você acha que Cam Newton será o número 1 no draft da NFL em 2012 ?
Eu não acho que ele estará no draft em 2012. Acredito piamente que ele participará já em 2011.


- Quem vence Auburn ou Oregon ?


Eu acho que Oregon vence esse jogo, 45-38. Os dois times tem ataques sensacionais mas eu penso que a habilidade de Oregon para jogar rapidamente e desarrumar a defesa adversária pode criar problemas para Auburn e sua linha defensiva (sua força defensiva).


- Qual a maior decepção da temporada ?


Alabama, Eu acho que Alabama tinha talento e experiência para ganhar outro título nacional. Eu nunca imaginei que esse time pudesse perder 3 jogos.


- Quem é o técnico do ano para você ?


Eu votei no técnico de Auburn, Gene Chizik em 1º, Frank Beamer (Virginia Tech) em 2º e Mark Dantonio (Michigan State) 3º no prêmio de Home Depot Coach of the year.


CBK



- O que você achou da expansão do March Madness ?


Eu acho que foi na direção certa. Teremos 68 times esse ano. Eu não gostaria que fossem mais times.


- Quem é mais impressionante ? UCONN (feminino) ou Duke (Masculino) ?


Sem sombra de dúvida, o time feminino de UCONN é o mais imporessionante. 89 vitórias consecutivas, com apenas dois jogos com a diferença menor do que 10 pontos é inacreditável. Elas são um belíssimo exemplo de "time dominante".


VIDA


- Conte-nos um pouco sobre sua carreira. Como você chegou na ESPN ?


Eu me formei em jornalismo na Universidade de Oklahoma. Meu primeiro trabalho na TV foi em uma cidade pequena, chamada Kalispell, em Northwest Montana. Fiquei lá por 2 anos, antes de mudar para uma rede de TV em Lincoln, Nebraska. Depois de 2 anos em Lincoln, eu consegui um emprego em um canal de TV na minha cidade natal, Tulsa, Oklahoma. Dois anos depois, eu fui para a ESPN.


- Como é trabalhar na TV líder mundial em esportes ?


Fantástico. Eu faço uma variedade de programas na TV, na rádio e tenho a oportunidade de participar ocasionalmente de play-by-plays de Futebol Universitário e Basquete Universitário. Eu não pediria por mais nada.


- Quais são seus planos para o futuro ?


Espero continuar na ESPN o tanto quanto possível.


- Sua vida é um pouco agitada. Como é conciliar isso com a família ?


Minha esposa Jennifer é fantástica e compreende muito bem minhas obrigações. Nós fazemos o melhor possível. Meus filhos tem 5 e 1 ano and ainda não perceberam que minha agenda é incomum. Eu decidi que quando não estiver trabalhando, estarei com a minha família. Nós somos muito, muito próximos.


- O que você diria para quem está começando na carreira agora ?


Seja persistente, Ganhe o máximo de experiência prática que você puder durante a escola. Faça contatos e trabalhe duro!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entrevista | Thomaz Koch

Entrevistamos Thomaz Koch, o maior jogador da história do tênis antes de Guga, ele fala um pouco sobre as aventuras de ser tenista nos anos 60, conta de como foi doído ver o Brasil perder para Índia na Davis e da alegria de ver Guga, tri campeão de Roland Garros. E dá um recado a Thomaz Bellucci: "Acho que Belluci foi injusto com seu treinador anterior João Zwetsch".


Confira:


# Como era o tênis no seu tempo ? As viagens eram mais difíceis, não ? E os patrocínios ? E o calendário ?
Eu tive muita sorte na época que joguei. Jogar tênis no exterior era uma aventura. Começava a disputar o circuito no início de abril ou maio na Europa e lá ficava até agosto/setembro. A ida para a Europa só era possível para quem fazia parte da equipe da Copa Davis, que na época era dividida em zonas. A que o Brasil participava era a zona européia, daí a chance de ir e ficar na Europa jogando por 4 ou 5 meses seguidos. Vivi o tênis amador no início dos anos 60, depois o tênis de transição ou marrom como era chamado e finalmente o tênis profissional de 68 em diante.
A transformação foi enorme. No início éramos teleguiados por nossas federações e aos poucos nos tornamos independentes das federações para ficarmos reféns da ATP, que foi criada no início dos anos 70, e que teoricamente seria regida pelos tenistas.
Patrocínio? Esquece, não existia, no máximo recebíamos material de tênis como raquetes, roupa, calçado. As passagens era caríssimas, razão pela qual só se podia ir uma vez por ano a Europa( por conta da cota de passagens da Davis) e eu ainda disputava o circuito do Caribe em janeiro e fevereiro, depois de jogar o torneio de Orange Bowl(juvenil) patrocinado pela cidade de Miami (compreendia passagem e estadia em casas particulares).


# Como você define sua carreira ? Acha que conquistou tudo que queria ?
Minha carreira foi longa, porém prejudicada por uma lesão nas costas. Foram cinco anos de sacrifício, dos 25 aos 30 anos, muito difícil de jogar por causa das dores e limitação física, foi quando decidi por uma cirurgia. A recuperação posterior foi demorada, mais ou menos um ano. É claro que sempre achamos que ficamos aquém do que gostaríamos em termos de realização, mas vendo como um todo, acho que foi legal, muitas alegrias, tristezas, frustrações o dia a dia típico de um tenista. O resultado final foi bastante positivo.

"O tênis brasileiro teria muito a melhorar no dia que usassem a experiência dos ex-tenistas de Copa Davis"



# Como foi para você, o melhor tenista brasileiro da história antes do Guga, ver ele tricampeão de Roland Garros e nº 1 do mundo ?
Ver Guga, campeão de Roland Garros foi uma emoção, uma alegria indescritível, foi como soltar um grito por tanto tempo engasgado. E depois duas, três vezes campeão, mas emoção igual ou maior foi a conquista do nº 1 do mundo em Lisboa em cima de Sampras e Agassi.


# E na Davis, como foi para você, que é um dos maiores jogadores da história da Davis, ver o Brasil ser eliminado pela Índia ? Doeu para alguém que chegou na semifinal da competição ?
Perder da India, naquelas condições, ainda não deu para digerir. Ganhar de 2-0 no primeiro dia e depois não ganhar mais nenhum set nos tres últimos jogos, foi muito pior do que perder do Equador em casa. Até agora está travado, engasgado, vai precisar de um resultado muito bom para esquecer esse pesadelo. Quando nós estivemos na Índia (66) jogando a semifinal da Davis, perdemos no quinto set do quinto jogo depois de quatro dias de luta.


# E hoje, como foi trocar a raquete, pelo microfone, ser comentarista é mais fácil, não ?
Gostei do microfone, mas ele está longe de mim. Fazem uns cinco anos que não faço mais comentários na televisão. Jogar tênis é melhor, mas na falta de um, o outro é bem legal!

# Conte-nos um pouco sobre seus projetos.
Não tenho nenhum projeto definido para o próximo ano.

"Acho que Belluci foi injusto com seu treinador anterior João Zwetsch. Nunca havia alcançado tamanha projeção, resultados, ranking como nesse ano."



# Você vem organizando eventos femininos, com está sendo ? Há muita dificuldade para arrumar patrocinadores ?
Não estou organizando nenhum torneio, acho que você está confundindo a Koch Tavares comigo. Já fazem mais de 30 anos que não tenho mais nada a ver com aquela firma de promoções e não gosto de falar nisso porque até hoje usam meu nome a minha revelia.


# Como você acha que o tênis brasileiro pode melhorar ?
O tênis brasileiro teria muito a melhorar no dia que usassem a experiência dos ex-tenistas de Copa Davis, e os que trilharam o caminho árduo do tenista, desde o início até a disputa dos torneios internacionais, seja como treinadores, dirigentes, consultores junto a CBT e federações, enfim que fossem escutados para ajudar, servir como atalho na carreira dos futuros tenistas. Isso quase não acontece aqui no Brasil, e é o grande trunfo de países como França, Argentina, EUA.

# Recentemente, o ex-tenista Alexandre Simoni escreveu um texto, alegando que os ex-jogadores não são consultados para melhorias no esporte, o que você acha ? Concorda ?
Exatamente como Simoni falou, está coberto de razão.

# O que você achou da contratação do Larri Passos pelo seu xará, Thomaz Bellucci ?
Acho que Belluci foi injusto com seu treinador anterior João Zwetsch. Nunca havia alcançado tamanha projeção, resultados, ranking como nesse ano. Joãozinho não foi valorizado como devia, não gostei.

# Você acha que a TV aberta dá pouco espaço para o tênis, como isso poderia ser melhorado ?
Quanto ao problema da TV aberta, fechada, o problema maior é que não temos quadras públicas para a população brincar de tênis. Tênis naTV é muito bom, mas de que adianta se as pessoas não tem onde jogar?

# O que você falaria para alguém que está começando a carreira agora ?
Quem estiver começando: acho importante a criança praticar mais de um esporte, gostar do que está fazendo, e depois para aqueles que queiram seguir jogando, inclusive como carreira, é necessário muita humildade, persistência e continuar curtindo aquilo que estão fazendo e ir atrás da melhoria técnica, física e mental em vez de ranking e resultados, tudo isso será consequência e não um fim em si.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entrevista | Com Gilberto Silva

Nós entrevistamos o Gilberto Silva, hoje no Panathinaikos, Pentacampeão mundial em 2002 e mais duas Copas nas costas. Nessa entrevista, ele mostra como não foi fácil o início de carreira dele (ele chegou a parar de jogar, para ajudar a família), fala do Atlético-MG e do América-MG e mostra o que é preciso para vencer na Europa: "Eu tinha que começar do zero, conquistar um espaço no clube, aprender uma nova língua, uma nova cultura, sabia que ia ter todas as dificuldades", para não deixar passar, queria agradecer o Paulo Vilhena (assessor do Gilberto) pela força e também, avisar a todos, que amanhã, disponibilizaremos o áudio da entrevista (para quem preferir).


Agora, confira a entrevista:


# O início da sua carreira foi bem difícil. Você chegou até a parar de jogar um tempo, né ? Como foi esse começo ?
Eu cheguei no América com 16 anos. Já tinha feito teste no Atlético antes, mas não fui aprovado. Quando passei no teste do América foi a primeira vez que eu saí do interior para ficar em um clube.
Depois de um tempo, aconteceram um problemas em casa, de família. Aí, eu resolvi deixar tudo para trás, voltar para casa para ajudar meu pai. Trabalhar mesmo. Trabalhei duro e só retornei ao América com 19 anos, 2 anos e meio após a primeira saída. Nesse tempo, trabalhei em uma fábrica de doce e leite em pó em Lagoa da Prata, minha cidade, mas de vez em quando passava pela minha cabeça de voltar, para tentar uma última. Quando eu decidi realmente voltar, as coisas caminharam da melhor forma possível.


# Você iniciou sua carreira no América-MG, porém, foi convocado pela primeira vez para a seleção jogando pelo Atlético-MG, por qual deles você tem mais carinho e tem mais saudade de voltar ?
O carinho pelos dois clubes é igual. Não tem mais nem menos por nenhum deles. Em um deles foi o início de tudo, o América, foi o clube que me abriu as portas. Já no Atlético, foi o clube que me colocou na vitrine do futebol brasileiro, lá, eu tive a oportunidade de ir para a seleção. Cada um deles teve um papel muito importante na minha carreira. Um, por ter aberto as portas para mim: o América; e o outro, por ter me projetado: o Atlético. Para mim, seria difícil, até seria injusto que eu falasse que gosto mais de um do que do outro.


# Você pretende encerrar a carreira no Brasil ?
Penso nisso sim, é uma possibilidade que eu não descarto. Ainda tenho 6 meses, praticamente, de contrato aqui, meu contrato aqui vai até junho/2011, e vamos ver o que pode acontecer até lá, se porventura houver um convite, de uma forma bacana, vou pensar com muito carinho sim!


#  E Algum time mineiro, de preferência ?
Se fosse para voltar, a minha preferência seria voltar para Minas. Isso é uma coisa que eu gostaria muito. Mas no meu caso, sou um profissional também, se houver uma outra possibilidade, eu vou estudar as situações, as possibilidades para realmente tomar a decisão se sim ou não, ou se vou ficar mais um tempo. Esses 6 próximos meses serão muito importantes para essa decisão, meu contrato está indo para reta final aqui no Panathinaikos.


# Há um tempo, o técnico Arsene Wenger disse que sua saída do Arsenal foi precipitada, como foi essa saída ?
Olha, eu discordo dele de ser precipitada. O motivo da minha saída, ele sabe muito bem o porquê, e grande parte disso, teve contribuição dele...
Acho que ele quiser dizer que foi uma falha dele, ele não deveria ter deixado você sair antes.
Após a Copa América de 2007, no meu retorno, normalmente eu era um dos últimos jogadores que se apresentava para a pré-temporada. Nesse ano, eu cheguei já há uma semana de começar o Campeonato Inglês e como o time já tinha participado da pré-temporada, jogado o torneio de Amsterdã, um campeonato que o Arsenal normalmente jogava. Ele manteve a equipe para o começo do campeonato, a partir do 3º jogo, eu já estava pronto para jogar, em condições de suportar um jogo, ou pelo menos, 70, 80 min. de jogo. Mas ele preferiu manter a base, até que um dia eu cheguei para ele e perguntei se tava acontecendo alguma coisa errada. Aí, a resposta dele foi que ia manter a base que ele havia feito e que eu tinha retornado depois dos outros jogadores. Algo que ele sabia que não era novidade, o que mais me causou surpresa foi que na temporada anterior, eu fui o capitão da equipe, praticamente durante todos os jogos, já que o Henry estava machucado. Esse foi o principal motivo da saída.



"Quando eu fui para a Inglaterra, meu pensamento era esse, eu tinha que começar do zero, conquistar um espaço no clube, aprender uma nova língua, uma nova cultura, sabia que ia ter todas as dificuldades"


# Você tem saudades do seu tempo de Arsenal ?


Tenho sim! Não dá para dizer que não. Tenho saudade do tempo que eu fiquei lá, do clube, foi um clube onde eu conquistei muitas coisas boas ali, foi um clube muito importante na minha carreira, me ajudou bastante. Saudade da tranquilidade, da organização, coisa que o inglês sabe fazer bem em relação ao futebol. Pelo menos, o que eu aprendi no Arsenal.
No momento que eu decidi a saída, nas conversas que eu tive com ele, não senti, da parte dele, uma certa segurança que eu teria chance de jogar novamente, já que eu não tinha jogado, praticamente, quase toda uma temporada, eu joguei poucos jogos. Um dos motivos da minha saída teve relação com a seleção, eu ainda tinha em pensamento continuar jogando pela seleção, queria jogar, ainda, mais uma Copa. Optei por sair para me manter em condições de jogo, porque eu estava perdendo essa condição ficando na reserva no Arsenal.


# E na Grécia, como é jogar aí ? Os gregos são fanáticos, não são?
Os gregos são bastante fanáticos, tem hora que até um pouco exagerado. Tem sido importante a mudança para cá também, o Panathinaikos foi um clube que me abriu as portas, me deu condições de estar jogando. Lógico que no princípio você sente uma grande diferença de sair da Inglaterra e vir para cá, mas aos poucos, eu fui me adaptando, não foi tão difícil assim e está sendo muito tranquilo, já fazem 3 anos que eu vim para cá, passou rápido, já está caminhando para o final.


 


# Das cidades européias onde você morou, qual cidade você mais gostou ?
Cada lugar tem seu lado legal e outro que você aprecia menos. Londres, pela facilidade das coisas, as oportunidades, a agilidade em vários aspectos e uma tranquilidade maior em relação a aqui, porém, tem um clima que não ajuda muito. Aqui já é o inverso, tem um clima maravilhoso, só que tem esse outro lado, algumas coisas são lentas na forma de acontecer. Eu tento sempre focar o lado positivo de tudo. Se formos pensar, tudo tem seu lado negativo. Então, eu procuro, sempre, dar ênfase no lado positivo, porque eu acho que é assim que tem que ser as coisas.


# Os jogadores brasileiros tem mais dificuldade para se adaptar a cultura européia de determinados lugares do que os outros estrangeiros ?
Quando você vê um retorno muito precoce de vários jogadores brasileiros que já tiveram a oportunidade aqui fora e estão retornando para o Brasil, você percebe realmente isso, tem uma séria dificuldade. Não sei realmente quais os motivos, acho que cada um vive uma situação diferente em cada clube que vai. O que eu tenho para mim é o seguinte, você tem que, as vezes, pagar um preço, colocar na cabeça que nessas situações, você tem que começar tudo do zero, esquecer que você foi o último campeão brasileiro, último campeão da Libertadores, você tem que deixar isso de lado e, em termos, ter um recomeço. Quando eu fui para a Inglaterra, meu pensamento era esse, eu tinha que começar do zero, conquistar um espaço no clube, aprender uma nova língua, uma nova cultura, sabia que ia ter todas as dificuldades. Acredito que sempre que você sai, todos que saem, principalmente, para jogar fora do país, sabem que enfrentarão dificuldades, se na primeira dificuldade, seja ela a língua, que é um dos fatores que mais dificultam a adaptação, você já desanimar e querer voltar, você não vai ver graça em nada, mostra que não valeu a pena você ter saído, deveria ter ficado no Brasil.


# Na 1ª Copa que você disputou, a sua titularidade aconteceu por uma fatalidade com o Émerson que quebrou o braço. Como foi a sua noite, sabendo que você se tornaria titular da equipe ?
Primeiro, é sempre bom deixar bem claro sobre essa questão, que para o grupo em si, o acidente na véspera da estréia foi algo realmente trágico para todos nós, perdemos ali o capitão da equipe. Ele era super importante para o grupo.  Quando eu fui apontado pelo Felipão, ele e o Murtosa foram até o meu quarto e me disseram que eu ia começar a partida, eu fiquei sem ter o que falar para eles, mas eles foram super tranquilos comigo, me deixaram muito a vontade, me disseram para eu fazer, simplesmente, o que eu já vinha fazendo no Atlético, se eu fizesse aquilo que eu estava fazendo no Atlético, eles já estariam contentes com isso. Acredito que eu consegui, de certa forma, fazer o que eles esperavam de mim.



"Hoje não passa não, essa é uma opção que está mais distante para mim. Eu não sei se eu tenho perfil para ser treinador, hoje eu tenho uma idéia, mas daqui um tempo, pode ser que mude."


# Como é ser campeão do mundo e ser considerado um dos principais líderes da equipe ?
É uma sensação fantástica, praticamente indescritível, e para mim, acho que o mais bacana disso tudo foi chegar no Brasil e sentir, realmente, o peso do que estava acontecendo, o que representava para um país e você estar ali, representando aquele povo todo, o país inteiro, digamos assim,  você carregar a responsabilidade, através do futebol, nos ombros ali, e você só ter ideia, realmente, o que estava significando tudo que você havia conquistado quando você chega no seu país. Então, é assim, algo indescritível, mas de vez em quando, as imagens voltam na memória, você fica pensando tudo que você viveu, dias, momentos de treino, momento na chegada ao país, momento do apito final, alguns lances interessantes da partida. Às vezes dá um calafrio, dá até medo de pensar. Já se passaram quase 8 anos e ainda dá um arrepio de pensar nesse momento.


# Em 2006, muitos falaram que faltou um pouco de vontade para aquele time, como você trata essas críticas ? Você acha que faltou mesmo, não para você, mas para os seus companheiros ou você acha que foi um jogo diferente que não deu para ganhar mesmo ?
Principalmente em relação ao Brasil, onde a expectativa é muito grande com a seleção brasileira, é uma cobrança, muitas vezes, injusta, né ? Quando o Brasil jogar, tem que ganhar tudo, e por causa disso, até nós, jogadores, nos cobramos em relação a isso, nunca estamos satisfeitos com um 2º lugar, um 3º, coisa que é muito valorizada aqui fora. Eu discordo de muita coisa que foi dita, acho que ninguém entra em uma Copa do Mundo, com o pensamento de má vontade, de não querer ganhar, porque todo mundo se sacrifica bastante, fica longe da família por muito tempo. O que aconteceu, realmente, naquele jogo, não foi muito diferente da Copa que nós fizemos, nós não fizemos uma boa Copa, a seleção em si, não fez uma boa Copa, não engrenou como aconteceu em 2002, onde fizemos um jogo difícil na estréia contra a Turquia e daí em diante, a equipe se ajustou e as coisas caminharam bem, até mesmo nos momentos que o Felipão fez algumas trocas, tudo caminhou bem. Já em 2006 foi diferente, o time não conseguiu jogar como jogou no ano anterior na Copa das Confederações, mas sabemos que a responsabilidade nós temos que carregar, não podemos fugir disso, mas não por má vontade, falta de vontade de ganhar, acho que ninguém entra em um campo, principalmente em uma Copa do Mundo com esse pensamento. Infelizmente, eu tenho que reconhecer que não jogamos bem, a França foi muito melhor, soube marcar nossa saída de jogo e não conseguimos desenvolver o bom futebol durante a partida.


# E 2010, depois que o Brasil fez 1 x 0, a Holanda virou, muita gente, tentando achar algum motivo para a derrota, falou que faltou um pouco de controle emocional para alguns jogadores, o que você acha ? Acha que foi exagero da imprensa e da torcida ? Ou você acha que realmente faltou, que o time precisava de um apoio psicológico, de uma pessoa especializada no grupo ?
Penso que da forma como nós nos preparamos, quase 4 anos de trabalho, todos juntos, houve uma ou outra troca no período, mas a base foi mantida por quase 4 anos, nós nos preparamos bastante para Copa do Mundo, para agüentar a pressão e as dificuldades, e nós estávamos muito confiantes que tínhamos condições de ganhar a Copa. Nesse jogo particularmente, contra a Holanda, podemos dizer que fizemos um 1º tempo quase perfeito, viramos ganhando de 1 x 0 e no momento que tomamos o gol de empate, foi muito rápido, isso gerou uma certa insegurança no grupo, daí em diante, o time não conseguiu mais jogar da forma que jogou o 1º tempo, não esperávamos tomar o gol de empate tão cedo, o time não se encontrou mais em campo. Daí veio o 2º gol, dois gols de uma forma que o time não havia tomado nos outros jogos da Copa e nem na preparação para a Copa, uma pura falta de atenção de todo o grupo, depois foi muito mais complicado, não conseguimos furar o bloqueio deles, tentamos na base do desespero, na base da força. Fugimos um pouco da nossa característica de jogo e não conseguimos mesmo criar grandes oportunidades de gol.


# Muita gente falou que o grande culpado daquela derrota foi o Felipe Melo. Você que é um jogador calmo e disciplinado que raramente se envolve em brigas e confusões. O que você achou, você que jogou do lado dele. Você acha que ele perdeu a cabeça ? O que faz um jogador experiente perder a cabeça daquela forma ou você acha que ele não foi o culpado ? Você concorda com as críticas a ele ?
O que aconteceu naquele jogo foi que muitas coisas aconteceram com um jogador só, com o Felipe, ele fez um brilhante 1º tempo e esses incidentes aconteceram com ele no 2º tempo, no momento que perdemos o jogo. Muita gente associa o lance da expulsão à derrota, mas não foi ele, realmente, o culpado pela derrota, quando você ganha, ganha o grupo e quando você perde, perde o grupo. A seleção, em si, perdeu o jogo no momento que perdemos nossa concentração, acho que isso é o principal de tudo naquela derrota e uma coisa contribuiu com a outra, ele acabou ficando meio nervoso, se irritou, cometeu um lance infeliz, acabou sendo expulso e dificultando um pouco mais. Mas não foi ele, exatamente, o principal culpado como as pessoas colocaram, eles pegaram ele para Cristo.


# Na seleção você já foi dirigido por Felipão, Parreira e Dunga, cada um com seu estilo e filosofia de trabalho. Com qual deles você se sentiu mais a vontade pra jogar ?
Por incrível que pareça com os 3, me senti super a vontade com eles, os três sabiam a forma que eu jogava, o papel que eu desempenhava dentro de campo, dentro da minha característica, do que eu sei fazer, sempre tentei me doar bastante dentro de campo e fora de campo, sempre ser aquela pessoa que estava ali sempre para ajudar o grupo de uma forma geral. Mas assim, o legal quando você tem essas oportunidades de trabalhar com mais de um treinador é você procurar absorver tudo de bom que cada um tem, tenho certeza que eu aprendi muito com cada um e continuo aprendendo cada dia com cada treinador que eu tenho a oportunidade de trabalhar, seja nos clubes que eu trabalhei e também agora, dando sequência.


# Quem é o melhor do mundo na atualidade ?
Na atualidade é o Messi, sem dúvida.


# Como é jogar contra o Messi ?
Não é fácil, é um jogador de qualidade técnica impressionante, alterna, às vezes, o ritmo de jogo, mas sempre com a mesma qualidade, se movimenta bastante e dribla com extrema facilidade. É um jogador que você tem que ficar sempre atento, mais que o normal. Muitos treinadores gostam de fazer marcação individual e essa marcação não é tão simples, é um jogador que se movimenta por todo setor ofensivo. É um jogador super inteligente, conhece bem o espaço do campo.


# O que você pretende fazer quando parar de jogar ?
É o que eu me pergunto sempre, mas ainda não formei minha opinião, até porque eu ainda penso em jogar, sei lá, mais uns dois anos, três, até quando eu me sentir bem das pernas, para estar correndo. Vamos ver mais para frente, daqui um ano, dois, vou começar a pensar mais sério nisso. Logicamente, eu tenho muitas idéias na cabeça, do que eu vou fazer, mas não formei uma opinião forte sobre isso.


# Ser treinador passa pela sua cabeça ?
Hoje não passa não, essa é uma opção que está mais distante para mim. Eu não sei se eu tenho perfil para ser treinador, hoje eu tenho uma idéia, mas daqui um tempo, pode ser que mude. No momento, eu quero aproveitar bem, continuar jogando futebol, que é o bom da coisa, é o que eu gosto de estar fazendo, enquanto eu puder jogar em boas condições, procurar aproveitar o máximo que eu puder. Eu sou muito realista, sei que, daqui a pouco, eu tenho que já começar a me programar para o pós-futebol, mas eu quero deixar um pouquinho mais para a frente.


# O que você falaria para quem tá começando a carreira agora ?
Olha, muita disciplina, determinação, focar bem nos objetivos, o que realmente quer ser e saber que para ser jogador de futebol é necessário se sacrificar, que em muitos finais de semana, enquanto a maioria dos seus amigos está saindo para se divertir, você está em um hotel, concentrado, ou viajando. Você precisa ter essa consciência  para ter a possibilidade de jogar em alto nível, só quem consegue fazer isso tem chances. Disciplina e trabalho, esse é o caminho.


# Como é conciliar a vida pessoal com o futebol ?
Muita gente tem dificuldade, né? Lógico que não é tão simples, se você não tiver muita disciplina, você acaba perdendo seu foco com relação ao futebol, à sua carreira. Isso acontece bastante, a gente está cansado de ver vários exemplos, é uma fase que você tem seus amigos que não são jogadores de futebol, que te convidam para sair, se você achar que tem que sair toda hora, você não vai conseguir treinar bem, jogar bem. Você tem que saber que será uma vida de sacrifício. Se você quiser ser jogador de futebol e ter uma carreira que dure muito tempo, você tem que ter essa consciência, não vai ser nada fácil, ao contrário do que muita gente imagina.


# As concentrações são diferentes na Europa, não ? Como são feitas ?
Nada, estou falando com você da concentração, é feita da mesma forma, concentramos um dia antes das partidas, como eu te disse antes, é um sacrifício que você tem que fazer, ficar longe da família, deixar de fazer coisas que outras pessoas, (que não jogam o futebol profissional) estão fazendo, como ir no restaurante com os amigos, ir em uma danceteria, uma festa familiar... Você vai perder muito disso, mas quando é isso que você quer, vale a pena pagar o preço. Você tem que aproveitar o máximo e se cuidar nesse aspecto, porque senão as coisas serão muito mais difíceis do que já são de uma maneira normal quando se tem toda essa disciplina.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entrevista | Com a Fofão

Entrevistamos a Fofão, ex-levantadora da seleção brasileira (se aposentou da seleção com a medalha de ouro em Pequim-2008) e que joga, atualmente, no Fenerbahçe, da Turquia. Ela conta um pouco de como foi vencer a Olimpíada, o que achou do jogo do Brasil contra a Bulgária no Mundial Masculino e muito mais, confira:


# Acredito que você deva ter acompanhado o Campeonato Mundial disputado no Japão, onde a seleção brasileira feminina ficou com o vice-campeonato. Não deu vontade de estar lá jogando ? Como foi ver pela TV ?
Acompanhei, sempre  que foi  possivel,  alguns jogos, pra mim,  foi normal,  torci muito,  fiquei nervosa,  mas vontade de estar la  já passou.



"A Bulgária entrou com um time diferente do titular e nem por isso, foi questionada, o Brasil fez o que achava certo no momento e quem somos nós pra discutir."


# O que você acha que faltou ao Brasil para vencer a Rússia  e se sagrar campeão? Acha que faltou um pouco de controle emocional ?
O Brasil fez tudo certo, acho que ir para um tie break  com a Russia é sempre complicado, pois elas jogam com bolas altas o tempo todo e encontrou uma Gamova num  dia inspirado.


# A Dani Lins começou como levantadora titular e depois cedeu o espaço para a Fabíola. Você não acha que a Fabíola sentiu um pouco o peso da responsabilidade na fase final da competição ?
Acho que é normal sentir um pouco da pressão, afinal disputar uma competição tão importante não é fácil e foi a primeira vez dela, e tenho certeza que com mais jogos pela seleção, as coisas vão acontecendo , vai se adquirindo mais  experiência que é muito importante para uma levantadora, acho que o fundamental é aproveitar a oportunidade que foi dada.


# Como é ser considerada uma das melhores levantadoras da história do vôlei mundial ?
É incrível! Eu fico muito feliz por isto, porque um atleta vive de objetivos e desafios  e ser reconhecida  como a  melhor na sua posição é a maior vitória, você se sente realizada  e seu trabalho muito mais valorizado.


# Você já foi comandada por dois dos melhores técnicos brasileiros da história: Bernardinho e o José Roberto Guimarães. Quem é o mais exigente e difícil de se agradar ? Qual a diferença de estilo entre os dois ?
Trabalhei com os dois em vários momentos da minha carreira e pra minha sorte, os dois foram levantadores e imagina o quanto  eu sofri  e posso dizer que os dois são muito exigentes, cada um na sua maneira de se expressar, são dois grandes treinadores , o Bernadinho é muito exigente e quer sempre tirar o máximo do atleta dentro daquilo que ele acredita que o atleta pode dar e o Zé Roberto é mais exigente nos fundamentos e na técnica do movimento.


# O que você achou dos comentários sobre a derrota do Brasil para a Bulgária no Mundial Masculino ?
Como atleta, eu acredito que existiu um pouco de exagero, as pessoas falam coisas que nem sempre são verdadeiras, a Bulgária entrou com um time diferente do titular e nem por isso, foi questionada, o Brasil fez o que achava certo no momento e quem somos nós pra discutir.


# Com toda essa história de igualdade entre homens e mulheres, constata-se que geralmente os técnicos são homens e ex-jogadores de vôlei. Por quê as mulheres não se aventuram nessa área ? Você tem a intenção de ser, um dia, técnica ?
Ate agora só a Isabel se aventurou, acho que a mulher não quer ter certas responsabilidades, que tiveram a vida inteira como jogadora, e ser técnica  é muito desgastante, eu ainda não conheci nenhuma jogadora que tenha dito ter esta vontade, eu tenho vontade de trabalhar com garotas em formação, ensinar fundamentos, isto sim.


"(...) tenho alguns sonhos que espero realizar,que é ter meu projeto de escolinha  para levantadoras."


# A conquista  do ouro em Pequim 2008 foi o ponto alto de sua carreira ? Qual a sensação de ganhar uma medalha de ouro em uma Olimpíada ? Há alguma ligação entre essa conquista e sua decisão de não jogar mais pela seleção brasileira?
A  Olimpiada foi o meu auge, me preparei muito para aquele momento e estava muito bem em todos os aspectos e a conquista da medalha veio coroar toda a minha carreira, toda a minha história dentro do voleibol, eu já tinha tomado esta decisão de deixar a seleção 4 anos antes da Olimpiada, independente de vencer ou não, seria minha última participação com a camisa da seleção, foi muito melhor, pois, encerrei com  a medalha de ouro.


# Hoje, você joga na Turquia, pelo Fenerbahçe. Mas já jogou na Itália e na Espanha. Como é jogar na Europa ? Cada liga tem uma característica diferente ? E as cidades, onde você morou, qual a sua preferida ?
Jogar fora do Brasil é sempre um desafio , temos que nos adaptar a tudo. Mas eu sempre tive muitas alegrias em todos os times que eu joguei, mas foi na Itália que eu mais me identifiquei e onde eu tive todo reconhecimento que  buscava na minha vida. Cada país tem sua forma de disputa, mas existem muitas competições muitos jogos, você joga em alto nível o tempo todo e isto é bom para o atleta evoluir e adquirir experiência.


# Como é conciliar a vida pessoal com a profissional com tantas viagens, concentrações e jogos ?
Não é nada fácil, pois temos que nos dedicar bastante aos nossos objetivos e as vezes  a família fica em segundo plano, eu estou junto com meu marido a 15 anos e demorei 9 anos pra gente conseguir marcar o casamento e tudo mais, isto é só pra se ter uma ideia, mas no final deu tudo certo, meu marido entende perfeitamente a minha profissão e me apoia muito. A família é muito importante para um atleta .


# Quais são os seus planos para o futuro ? Pretende encerrar a carreira no Brasil ?
Eu não costumo fazer planos na minha vida, sempre foi assim, as coisas acontecem sem que eu espere, mas tenho alguns sonhos que espero realizar, que é ter meu projeto de escolinha  para levantadoras. Se eu vou encerrar minha carreira no Brasil só Deus sabe.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Judô | Entrevista com Tiago Camilo

Tiago Camilo, paulista de Tupã, com cinco anos de idade, foi assistir ao irmão Luís em uma aula de judô e, no dia seguinte, já estava de quimono, pronto para estrear no tatame.  Medalhista olímpico de prata com apenas 18 anos, nos Jogos de Sydney, se tornando, assim, o mais jovem judoca brasileiro a conquistar uma medalha. Tiago, não ficou satisfeito e em 2008, nos Jogos de Pequim, conquistou a medalha de bronze.


Em setembro de 2007, sagrou-se campeão mundial na categoria meio-médio no Campeonato Mundial realizado no Rio de Janeiro, vencendo todas suas sete lutas por ippon.


Aqui, ele fala um pouco das emoções vividas em cada conquista, um pouco da rotina e do seu amor ao judô.



Fonte: Arquivo Tiago Camilo

# Como nasceu a sua paixão pelo Judô?


Depois da minha primeira experiência competitiva, eu tinha sete anos e foi uma competição interna da academia. Antes disso tudo era brincadeira.


# Como são seus treinamentos para se tornar um atleta de ponta no Judô ?


Treino de segunda a sabado. São 4 a 5 hs de treinos diários divididos em parte técnica, física e táctica. É bem cansativo mas eu amo o que eu faço.


 


 


"Para melhorar não só o Judô mas todo o esporte no nosso país, deve haver uma política de massificação tirando a qualidade da quantidade."


# Como é ser o medalhista brasileiro mais jovem na história do Judô Olímpico ?


Foi um surpresa até para mim, eu tinha 18 anos em Sydney e sabia que podia fazer uma boa competição mas ser medalhista realmente foi surpreendente. Fico muito feliz porque ficará sempre na história do esporte.


# É muito diferente lutar um Mundial de uma Olimpíada ?


A principal diferença é o fator psicológico, lutar uma Olimpíada e ser medalhista é muito mais grandioso. Já a dificuldade é a mesma porque os melhores atletas do mundo lutam as duas competições.


# A medalha de Sydney-2000 foi diferente da de Pequim -2008. Em uma você era a surpresa, na outra, um dos favoritos. Como foi cada uma ? Sentimentos diferentes ?


Expectativas diferentes, momentos diferentes e categorias diferentes... Em Sydney tudo era novidade, eu estava começando a minha trajetória agora em Pequim eu já tinha acumulado vários títulos e certamente foi muito mais difícil a conquista da segunda medalha.


# O que esperar do Tiago Camilo nas Olimpíadas de 2012 em Londres ?
Fonte: Arquivo Tiago Camilo

Até Londres, muita dedicação, perseverança e muita vontade de atingir os meus objetivos. Estou em busca da minha terceira medalha olímpica na terceira categoria de peso, inédito no Judô Masculino e isso tem servido de combustível na minha luta diária.


# Você concorda que cada país tenha somente 1 judoca por categoria nos Jogos Olímpicos ou prefere as regras do Mundial do Japão, onde se classificaram até 2 judocas por país ?


Acho que no Jogos Olímpicos 1 por país é justo, sempre foi uma competição especial e deve se manter diferente de todas as outras do calendário mundial. Assim se mantem o brilho e a magia dos Jogos Olímpicos.


# O Brasil é um dos principais países formadores de judocas. Você acha que o trabalho realizado no judô hoje é bom ?
Como isso poderia melhorar para que ficássemos no nível dos japoneses
?

O Brasil deve muito a influência dos Japoneses na formação dos Judocas e hoje nos colocamos entre as principais potências do Judô Mundial. A cada ano melhora a estrutura e a organização possibilitando assim a melhora dos resultados a cada competição. Para melhorar não só o Judô mas todo o esporte no nosso país, deve haver uma política de massificação tirando a qualidade da quantidade.


# O que você diria para os novos atletas que estão apenas iniciando a carreira?

Sonhem, acreditem e realizem... Muita dedicação, disciplina e perseverança. Façam com muito amor que chegarão no seu objetivo maior.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Futebol | Fabuloso! Entrevistamos Luís Fabiano

Entrevistamos Luis Fabiano, craque do Sevilla e titular da seleção brasileira na última Copa do Mundo, Luis já jogou por Ponte Preta, Rennes, São Paulo e Porto. Ele conta um pouco de como é jogar na Europa e sobre suas pretensões de voltar a jogar no Brasil.


Confira:


# Na Europa, você jogou na França e em Portugal, agora está na Espanha. Tem muita diferença ? Qual é o lugar mais legal ?


Cada país tem um estilo de jogo diferente. Na França, eles jogam um futebol de mais velocidade e força, em Portugal, o jogo também é de força, com muitos lançamentos, já na Espanha, o futebol é mais técnico, mais parecido com o brasileiro. Eu particularmente gosto mais do futebol espanhol, pois prioriza mais o ataque e explora a técnica dos jogadores.



"Eu tenho a intenção de encerrar a carreira no Brasil, mas ainda não estou planejando isso e não estou em contato com ninguém. É cedo ainda para falar em clubes."



# Como é a estrutura do Sevilla? E a cidade, é boa para se morar?


O clube vem melhorando sua estrutura nos últimos anos e as condições são boas. Temos um CT com bons campos para treinar, nosso estádio é bom, apesar de não muito moderno, e o clube oferece boas condições aos atletas. A cidade é muito boa para se morar, gosto muito daqui. É uma cidade que tem boa infraestrutura, mas ao mesmo tempo é tranquila, não tem aquele agito das grandes cidades. Além disso é muito bonita.


# O Campeonato Espanhol é visto, por muitos, como o campeonato entre Barcelona e Real Madrid. O que você acha ? Concorda ?


Sendo bem realista hoje é muito difícil brigar com essas equipes pelo título. O poder de investimento deles é muito maior do que o das outras e por isso acabam ficando num outro patamar.


# E sobre o futebol italiano e inglês, gostaria de, um dia, jogar lá ?


São dois grandes centros, que possuem ótimas equipes. Mas hoje eu tenho mais 2 anos e meio de contrato com o Sevilla e depois disso devo retornar o Brasil.


# Você tem acompanhado o Brasileirão? Acha que o Campeonato de pontos corridos realmente está fazendo sucesso no Brasil?


Tenho acompanhado, assisto a alguns jogos e sempre acompanho as notícias. Acho que as equipes estão se preparando cada vez melhor para os pontos corridos e por isso o campeonato está cada vez mais disputado, mas emocionante, como o desse ano.


"Quando vi as imagens do pessoal comemorando meu gol contra a Costa do Marfim em Copacabana, fiquei arrepiado, foi uma sensação inexplicável."


# O que você achou da sua primeira passagem pelo São Paulo? Qual o momento mais marcante? Você tem intenção de encerrar a carreira lá ? Jogaria em algum dos eternos rivais do São Paulo (Corinthians e Palmeiras) ?


Acho que a minha passagem pelo São Paulo foi muito boa, mas faltaram os títulos. Eu tenho a intenção de encerrar a carreira no Brasil, mas ainda não estou planejando isso e não estou em contato com ninguém. É cedo ainda para falar em clubes.


# Como é jogar uma Copa do Mundo ? Você quer voltar à seleção para jogar outra ?


É o auge da carreira de um jogador de futebol. A Copa é um evento sensacional e quando você percebe que está em campo defendendo a sua nação e que milhões de pessoas estão torcendo por você é fantástico. Quando vi as imagens do pessoal comemorando meu gol contra a Costa do Marfim em Copacabana, fiquei arrepiado, foi uma sensação inexplicável. Meu principal objetivo nesse momento é voltar à Seleção. A partir do momento que conquistar esse objetivo, vou lutar para me manter em alto nível e disputar a Copa de 2014 no Brasil.


# Como foi sua noite depois da desclassificação do Brasil ?


Não conseguimos dormir, foi triste demais, o pior momento da minha carreira. A frustração foi muito grande, o grupo ficou arrasado.


# Para você, quem é o melhor jogador do mundo na atualidade ?


O Messi. Ele vem provando isso nos últimos anos.


# Qual é o melhor técnico com quem você já trabalhou ?


Não gosto de citar nomes. Para mim, todos foram importantes, até mesmo aqueles que não me deram oportunidades ou me dispensaram. De alguma forma eles me ajudaram a chegar onde cheguei.


# Vocé é novo ainda, tem apenas 30 anos. Já pensou o que vai fazer quando parar de jogar ? Pensa em ser técnico ?


Ainda não estou pensando muito nisso. Mas já tenho algumas idéias e uma delas é a de agenciar jogadores.


# O que você diria para um jovem que está iniciando a carreira agora ?


Para acreditar sempre no seus objetivos, não desistir no primeiro obstáculo dos muitos que vai encontrar e treinar muito. Jogador tem que lutar muito para chegar lá.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

College Football | Entrevista com Robert Flores, ESPN


Entrevistamos Robert Flores, uma das assumidades em College Football nos EUA, formado na Universidade de Houston em 1992 com diploma para radio/televisão. Faz parte da ESPN desde 2005 onde começou trabalhando na ESPNews, hoje em dia um dos principais âncoras da cobertura da ABC no College Football aos sábados, e apresentador do SportsCenter do meio-dia junto com Chris McKendry desde setembro de 2009 no lugar de John Buccigross.
(Quem quiser ler a entrevista original, clique aqui )


# Até agora na temporada, qual tem sido a maior decepção da temporada e por que ?
Maior decepção foi o Texas. Eles perderam muitos jogadores, mas eu não achei que eles perderíam tanto.

"Realmente, nas conferências, é tudo sobre dinheiro. Como você pode ir contra essa linha de pensamento?"


# O que você pensa sobre um sistema de pós-temporada no College Football seria mais justo para decidir o campeão, mas não vai perder a tradição e o dinheiro que entra para as conferências ? Um melhor planejamento para os Bowl's não seria a chave ?
Obviamente, a maioria dos fãs prefere um sistema de playoff de algum tipo. Em vez disso, eu acho que um "plus 1" formato é o melhor caminho a percorrer.


# E a situação do Cam Newton (para quem não conhece o caso, clique aqui) que veio à tona na última semana, o que você pensa ?
É triste, porque não importa o que for decidido, haverá também algumas dúvidas sobre Newton e Auburn.

# Qual o melhor jogo que você já assistiu ?
Melhor jogo que eu já vi foi Texas contra USC no Rose Bowl para a decisão do título nacional.

# Alguns times mudaram ou vão mudar de conferência, isso é bom ou não deve haver mudanças ?
Realmente, nas conferências, é tudo sobre dinheiro. Como você pode ir contra essa linha de pensamento?

# O que você acha sobre contatos hemet-to-helmet pode ser um exagero como acontece na NFL ?
Helmet-to-Helmet tem que ser monitorado de perto. Os atletas que jogam nesses níveis são bons o suficiente para se adaptarem às novas regras mais duras.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Basquete | Entrevista com Guilherme Giovannoni

Entrevistamos Guilherme Giovannoni, titular da seleção brasileira no último Mundial e campeão do último NBB com o time de Brasília, Guilherme jogou na Europa (Espanha, Itália, etc) e voltou ao Brasil com a crise econômica em 2009. Ele conta um pouco sobre o Mundial, fala também sobre a NBA e Tiago Splitter e conta sobre seu sonho de ser técnico


# O que você achou da participação do Brasil no Mundial ?


Acredito que foi uma boa participação, acho que demos um passo importante pra credibilidade no esporte no país.


# Muito se fala que, na seleção, falta alguém para decidir os jogos. Você concorda ?


Não concordo, acredito que temos jogadores que podem sim decidir partidas, mas essa é uma questão que gera muita discussão.


# Qual foi a sensação de perder por 2 pontos dos EUA e depois, vê-los ganhando o Mundial com tanta competência ?


Foi uma sensação estranha, um jogo onde a gente poderia ter ganhado de um time onde nenhum outro time teve nem sequer a chance de pensar em vitória contra eles.


# Você jogou na Itália e na Espanha, o que te trouxe de volta ao Brasil em 2009 ?


Acredito que 2 fatores, uma crise financeira muito forte na Europa, onde dificultou o mercado pra muita gente, e a criação do NBB, que esta crescendo a cada dia.


# Qual a diferença entre jogar na Europa e no Brasil ?


Acredito que o intercâmbio que se tem jogando na Europa é muito grande, e essa é uma dificuldade do esporte por aqui. A possibilidade de melhoria é muito grande com esse intercâmbio e competitividade que tem por lá.


# Você acredita que o NBB é o caminho certo para a revitalização do basquete brasileiro ?


Sem dúvida alguma, agora não podemos ficar de braços cruzados esperando que a liga vá resolver todos os problemas do basquete brasileiro porque não é assim, todos envolvidos com o esporte tem que ajudar e fazer alguma coisa em prol da modalidade.


# O que mais precisa ser feito para que o basquete brasileiro volte aos tempos áureos ?


Trabalhar a base e especializar todos os profissionais da área, com cursos e clínicas frequentes no nosso país.


# Qual seus próximos objetivos na carreira ?


Espero jogar mais alguns anos, tanto pela seleção quanto nos clubes, e quem sabe virar técnico. Curso eu já estou fazendo.



“Mas acredito que se a liga continuar


crescendo como está, as televisões brasileiras,


com certeza, enxergarão o ótimo produto


que é o basquete.”


# Qual o melhor técnico com o qual você já trabalhou ?


Trabalhei com excelentes técnicos, é difícil individualizar o melhor, mas foram técnicos como Ettore Messina, Renato Pasquali, Ruben Magnano.


# Você ainda sonha em jogar na NBA ?


Acredito que nessa fase da minha carreira já seja mais difícil, mas seria uma grande satisfação ter uma oportunidade sim.


# Você acha que o Tiago Splitter vai ser um superstar na NBA ?


Acredito que ele tem um grande potencial pra ser referência, mas penso que a minha idéia de superstar é um pouco diferente do que pensa a maioria.


# Você acha que a TV brasileira pretere o basquete frente ao futebol e ao vôlei ?


Isso sim, mas é uma questão muito simples, o futebol no Brasil é uma febre e sempre será, e o vôlei hoje é referência mundial. Mas acredito que se a liga continuar crescendo como está, as televisões brasileiras, com certeza, enxergarão o ótimo produto que é o basquete.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Que beleeeza! Entrevistamos Milton Leite

Entrevistamos Milton Leite, um dos melhores narradores brasileiros da atualidade (se não o melhor), que começou como repórter no Jornal de Jundiaí-Regional, foi redator de Economia do Estadão, apresentou o Show da Manhã da Jovem Pan por 8 anos.

[caption id="" align="alignleft" width="182" caption="Fonte: http://www.miltonleite.com.br"][/caption]

Começou na TV como apresentador de pré-jogo da TV Jovem Pan e narrou sua primeira partida, acidentalmente, digamos assim, pois Flávio Prado (o narrador escalado para o jogo Palmeiras x Portuguesa em 8 de setembro de 1991) estava sem voz e Milton foi chamado ás pressas para substituí-lo. E a partir dali, deixou de ser apresentador para ser narrador. Trabalhou na ESPN-Brasil, participando da cobertura das Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004 e do Mundial de Basquete de Indianápolis-2002 entre outros. Como diretor de jornalismo da Rádio Eldorado AM, foi o responsável pela reestruturação de toda a programação, organização da redação e ainda apresentar um programa de variedades, o "Panorama Eldorado".

Em 2005, foi contratado pela Globo, para trabalhar na Sportv. Participou da cobertura de 2 Copas do Mundo de Futebol (Alemanha-2006 e África do Sul-2010), dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008), dos Campeonatos Mundiais Femininos de Basquete Feminino (Brasil-2006 e República Tcheca-2010), Mundial de Ginástica (Londres-2009), Jogos Pan-Americanos (Rio-2007), dentre outros, como Eliminatórias da Copa do Mundo....

Na Globo (TV Aberta), narrava, principalmente os eventos do Esporte Espetacular, nas manhãs de domingo. Foram competições de remo, vôlei, handebol, atletismo, kart... Em setembro de 2010, estreou no futebol da Globo. Como narrador esportivo, Milton Leite já conquistou vários prêmios. Os mais importantes: 5 vezes vencedor do Prêmio Ford-Aceesp, entregue anualmente pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo; Prêmio Comunique-se: finalista em 4 edições e vencedor em 2010.

Fonte: http://www.miltonleite.com.br

Depois desse vasto currículo, vamos à entrevista:

Carreira

MARCA ESPORTIVA: Como você se prepara para uma transmissão ? Você estuda os times e esquemas táticos ou vai só no conhecimento mesmo ?

MILTON LEITE: Nos dias de hoje não dá pra transmitir jogo só com o conhecimento. Leio tudo sobre os times, verifico escalações prováveis, vejo as características de jogadores que eventualmente não conheça, recebo uma pesquisa com dados históricos e curiosidades de cada equipe (uma empresa contratada pela TV faz isso), dali seleciono as informações que acredito serem relevantes...

Qual é o momento inesquecível da sua carreira ?

São quase 33 anos, por isso eleger apenas um é complicado. As duas finais de Copa do Mundo que transmiti (98 e 2010), provas marcantes de Jogos Olímpicos (a medalha de ouro do Cielo em Pequim, por exemplo). Tem muita coisa.

Qual foi a situação mais engraçada que você presenciou durante uma narração ? E a que te causou mais medo ?

Lembro mais de episódios que deram medo. A cabine do Sportv foi invadida por torcedores duas vezes na Vila Belmiro, passamos maus momentos. Lembro também de brigas históricas no Pacaembu, aquela tentativa de invasão da torcida do Corinthians numa eliminação de Libertadores diante do River Plate, ou aquela briga entre torcedores do Palmeiras e do São Paulo, numa final de uma competição júnior.

O que você sentiu quando narrou futebol na Globo pela 1ª vez ?

Primeiro, a realização profissional de qualquer profissional que consegue um espaço na quarta maior rede de TV no mundo. Depois uma certa tensão por enfrentar uma audiência tão grande, um público bem diferente do que estou acostumado na TV fechada e depois de tudo uma sensação de gratificação, porque percebi que fiz bem o meu trabalho e que posso crescer muito lá também.

Como é narrar uma Copa do Mundo ?

Pra quem gosta de futebol, não há evento como a Copa do Mundo. Você ter a chance de estar perto dos melhores jogadores do mundo, contando para as pessoas momentos históricos do esporte mais popular do planeta. Já tive a chance de ir a três. É o topo de qualquer profissional que trabalhe com jornalismo esportivo.

Na sua opinião, quem é o melhor narrador da atualidade ?

Tem muita gente boa. Acredito que Luciano do Valle e Galvão Bueno já são ícones, porque foram os dois responsáveis por a função ser hoje tão valorizada. Para selecionar um só entre os demais, citaria o Jota Jr, que sabe como poucos usar o veículo, contar a história do jogo.

Futebol


# Como você avalia o equilíbrio que estamos tendo nesse ano no Brasileirão ?

Na verdade esse não é um fenômeno deste Brasileirão. Quase todos os disputados por pontos corridos foram assim, a maioria só foi decidida na última rodada. Os clubes estão aprendendo a jogar essa competição longa, onde o que vale é a regularidade, o elenco mais completo.

# Qual time, na sua opinião, tem sido a maior decepção e qual a maior surpresa no Brasileirão ?

A decepção é o Flamengo, campeão do ano passado e que está lutando pra não cair. Não vejo nenhuma grande surpresa. Talvez o Botafogo, que sempre começa bem mas depois não resiste. E nesse ano está brigando forte pela Libertadores.

# Agora uma fácil, quem será o campeão brasileiro ?

Acho que está entre Fluminense e Corinthians. Um pouco mais para os cariocas.

# O que pensa sobre a inclusão de times norte-americanos na Libertadores ?

Sou contra, assim como não acho que valha a pena ter os mexicanos. A menos que o calendário seja alterado para permitir viagens tão longas, atrapalhando os campeonatos domésticos. Se é pra ganhar mais dinheiro coma  televisão, então é melhor repensar toda estrutura do futebol nas Américas, calendários, campeonatos nacionais, representação no Mundial de Clubes, etc.

Não acredito que os técnicos


tenham a importância que a


mídia costuma dar a eles.


# Você acha que o futebol brasileiro precisa de um calendário semelhante ao europeu ?

Precisar é uma palavra muito forte. Mas acho que seria melhor se tivesse coincidência de início e final. Não resolveria o problema da saída de jogadores, mas pelo menos eles não sairiam no meio do campeonato. Além do que, o calendário de competições da seleção brasileira também atrapalharia menos o campeonato brasileiro. Mas mais importante do que isso acho que seria reestruturar o nosso calendário doméstico e o calendário da Conmebol. Estaduais muito menores, Libertadores e Copa do Brasil se estendendo por todo ano....
# Sobre os técnicos, você acha que os times deveriam ter mais paciência ou tem que ser um trabalho a curto prazo ? Acha que um trabalho com mais longevidade tem mais chances de sucesso ?

Não acredito que os técnicos tenham a importância que a mídia costuma dar a eles. E acho que se o técnico não está funcionando, tem que demitir mesmo. Mas quando se demite com poucas semanas ou poucos meses é porque a contratação foi feita de maneira errada.

# Se te convidassem para ser técnico de um grande clube, você aceitaria ? Porque ?

Não. Porque se quisesse ser técnico tinha ido estudar pra isso. Estudei e tento me aprimorar todos os dias para ser jornalista.

# E se te pedissem uma indicação, entre os jornalistas, quem você indicaria ?

Função de jornalista não é indicar ninguém para cargo nenhum. E certamente, se fosse, não escolheria um jornalista, que não se preparou para isso.

Outros Esportes

# Você narra vários esportes (futebol, vôlei, basquete...). Qual o seu preferido para assistir e qual você gosta mais de narrar ?

Eu gosto muito de esporte, assisto a quase todos. Joguei vôlei quando era garoto, gosto de jogos equilibrados de basquete, adoro competições individuais como natação e atletismo.
# Você pensa que os outros esportes são preteridos frente ao vôlei e claro, ao futebol ? Acha que a imprensa brasileira participa desse "descaso" com os outros esportes ?

O processo é inverso. Os meios de comunicação não dão espaço porque as pessoas não consomem. O futebol tem tanto espaço, porque o público consome futebol e não gosta de consumir os outros. Porque se desse audiência, se vendesse jornal, os veículos dariam mais espaço. Infelizmente, o brasileiro não tem cultura esportiva, não entende da maioria dos esportes e por isso diz que não gosta. O Brasileiro, em geral, não gosta de esporte, gosta de ganhar, de vitória. Só assiste a um evento quando um brasileiro tem chance de ganhar.
# E a situação do basquete brasileiro. Acredita que no basquete masculino e feminino iremos recuperar o prestígio perdido ? O que pensa que deveria ser feito ?

Enquanto não se dedicar à formação de atletas, às categorias de base, não vai acontecer nada. O vôlei só chegou onde chegou quando começou a investir na base.
# Para finalizar, o que você falaria para os jovens que estão no começo de carreira ?

Que estudem muito, que leiam muito (não só a página de esportes, mas o jornal todo), leiam livros, vão ao cinema, vão a teatro...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tênis | Entrevista com o Fininho

Pessoal,


Entrevistamos, Fernando Meligeni, também conhecido como Fininho. Para quem não conhece, duvido que alguém não o conheça ou quer saber um pouco da história dele, segue um breve histórico.


Meligeni, como um tenista juvenil, venceu o Orange Bowl em 1989, terminando em terceiro no ranking mundial juvenil naquele mesmo ano. Virou profissional no ano seguinte, nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, Meligeni alcançou a semi-final, onde foi derrotado pelo catalão Sergi Bruguera.


Em 1999, Meligeni teve sua melhor performance, chegando as semifinais em Roland Garros, alcançando a 25ª na posição do ranking mundial. Ele venceu os cabeças de chave número três Patrick Rafter, número 14 Felix Mantilla, e número seis Alex Corretja, mas perdeu nas semi finais para o ucraniano Andrei Medvedev.


Meligeni se aposentou do tênis profissional em 2003, vencendo sua última partida contra Marcelo Rios nos Jogos Pan-Americanos em Santo Domingo, conquistando a medalha de ouro para o Brasil.


Em 2005, Meligeni foi nomeado capitão do time brasileiro da Copa Davis, mas não ficou por muito tempo no cargo.


Hoje, ele escreve no “blog do Fininho”, onde dá suas opiniões sobre o tênis nacional e mundial.


Só como observação, é o esportista mais raçudo que eu já vi jogar na minha vida... Se aquela frase “Sou brasileiro e não desisto nunca” é verdadeira, ele deve ter sido a fonte de inspiração.


Nesta entrevista, Meligeni dá sua opinião a respeito de Bellucci, da CBT e de suas alegrias no esporte.


Confiram!


Como nasceu a sua paixão pelo tênis?


De pequeno, meu pai jogava, minha irmã também. Fui me apaixonando pelo esporte.


Quais as suas maiores alegrias dentro deste esporte? E as suas maiores tristezas ou decepções?


Com certeza ter feito uma carreira sólida e com vitórias importantes. Decepções... Tristezas é ver que o esporte evoluiu pouco e que os grandes nomes pouco espaço tem para ajudar


Com certeza o ouro no Pan-Americano, em Santo Domingo (2003), foi uma das suas grandes alegrias no tênis. Qual é a sensação de ganhar uma medalha de ouro para o Brasil?


Para mim foi mais importante ainda pela minha condição de ter nascido na argentina. Tinha que provar que eu podia representar bem o país que eu amo. Nunca esquecerei disso.


E qual é a sensação de ter sido um dos maiores tenistas do Brasil e ter um grande carinho do povo brasileiro?


Mais que ter sido bom tenista me alegra ter feito diferença para as pessoas. Acho muito legal ser reconhecido como atleta, mas muito mais como pessoa do bem e lutadora.


Você nasceu na Argentina, mas veio muito cedo para o Brasil. Quando os dois países se enfrentam em algum esporte, você fica com o coração dividido ou se considera 100% brasileiro?


Eu diferente de algumas pessoas não torço contra a Argentina. Eu gosto de lá e quero que eles se deem bem. Mas no confronto direto sou Brasil sempre, independentemente do esporte.


Você jogou na época em que o Brasil tinha o Guga, considerado o melhor tenista da história do país. Como foi para você jogar neste período? E, principalmente como foi fazer dupla com o Gustavo Kuerten?


Essa época foi muito legal, convivemos, nos divertimos, aprendemos um com o outro e conseguimos resultados incríveis nas duplas. A convivência sempre foi muito legal.



“Em 1.000 anos de tênis, nunca tínhamos chegado perto de vencer um Grand Slam no masculino só porque ele (Guga) venceu as pessoas agora pensam que outro vai vencer em qualquer momento”


Atualmente, o melhor tenista brasileiro é o Thomaz Bellucci (27º no ranking da ATP), com 22 anos. Qual a sua opinião sobre ele e o que você espera deste tenista para os próximos anos?


Acho ele um belíssimo jogador. Ainda é jovem e vem tendo uma grande pressão por causa do momento do nosso tênis. Acho que ele ainda pode evoluir muito e pode melhorar em vários aspectos. O que mais me chama a atenção nele é que ele é trabalhador e gosta de viajar. Isso é fundamental para um tenista melhorar


O Guga é tri-campeão do Grand Slam de Roland Garros (1997/2000/2001), mas depois disso não veio mais nenhum título de grande expressão para um tenista brasileiro. O que está acontecendo de errado? Falta mais apoio? Falta mais empenho de jovens atletas?


Não se pode comparar o Guga aos outros tenistas. Em 1000 anos de tênis, nunca tínhamos chegado perto de vencer um Grand Slam no masculino só porque ele venceu as pessoas agora pensam que outro vai vencer em qualquer momento.


Qual a sua opinião sobre a atual situação do Brasil na Copa Davis? A derrota para a Índia, após o Brasil abrir 2 a 0, te surpreendeu bastante?


Me surpreendeu e me deixou triste. Era uma ótima chance. Perdemos de um time inferior ao nosso e por inexperiência nossa. Uma pena. Ano que vem tem mais


Como ex-atleta, o que deve ser feito para ajudar o tênis a crescer?


Eu tenho a consciência tranquila que por várias vezes tentei, infelizmente tem horas que não adianta bater de frente. Me sinto sozinho nessa luta. Não me considero o dono da verdade mas tento opinar, avisar, ajudar e 99% das vezes fico sozinho nessa briga. Para crescer teríamos que ter os melhores tenistas na estrutura.


Você tem agora um blog, atualizado constantemente, como é ser comentarista de tênis ?


Duro, muitas vezes não entendem o que queremos dizer. Mas a minha intenção com o blog é falar de tênis, opinar sobre o esporte. Não tenho rabo preso ou conchavo com ninguém, por isso, ele machuca as vezes. No geral é muito show.


E ser capitão da Davis, como foi essa experiência ? Hoje, faria algo diferente ?


Cara, foi legal em partes e decepcionante em outras. Quando se pede ajuda a um atleta, te chamam para ser o capitão, o mínimo que merecemos é engajamento e ajuda. Infelizmente me decepcionei com atitudes e saí. Prometeram e não cumpriram.


Há algum tempo, você se "estranhou" com o presidente da CBT, Jorge Lacerda, por falta de transparência nas contas da entidade. Como está essa relação agora ? Acha que ele está fazendo um bom trabalho a frente da entidade ?


As pessoas tem que ser menos defensivas e atacar menos quando são indagadas. O Jorge ficou bravo demais com um pedido mais que normal que eu fiz. Sei que sou influente mas precisamos parar de ficar mudos e em cima do muro das coisas. Se eu tivesse atacado ele pessoalmente eu aceitaria fogo cruzado, mas ele errou ao me atacar como atleta.  Eu não tenho problema com ele, discordo da maneira que ele trabalha as vezes. Eu posso gostar ou não da gestão dele e ele pode gostar ou não de como eu jogava tênis. Ele vem melhorando o tênis, mas para mim é pouco ainda. Muito mais poderia estar se fazendo.


Se te convidassem a se candidatar a presidência da CBT, você aceitaria ? Quais seriam suas principais propostas ?


Não, não quero ser presidente, não quero ser o diretor técnico. Cada macaco no seu galho. Propostas? Não tem que ter propostas tem que fazer coisas. Já estamos cansados de promessas de campanha.


Para fechar, uma pergunta bem fácil, quem é melhor Nadal ou Federer ? Porque ?


Federer. Pelos números, pelos títulos e pelo talento.