terça-feira, 9 de novembro de 2010

Que beleeeza! Entrevistamos Milton Leite

Entrevistamos Milton Leite, um dos melhores narradores brasileiros da atualidade (se não o melhor), que começou como repórter no Jornal de Jundiaí-Regional, foi redator de Economia do Estadão, apresentou o Show da Manhã da Jovem Pan por 8 anos.

[caption id="" align="alignleft" width="182" caption="Fonte: http://www.miltonleite.com.br"][/caption]

Começou na TV como apresentador de pré-jogo da TV Jovem Pan e narrou sua primeira partida, acidentalmente, digamos assim, pois Flávio Prado (o narrador escalado para o jogo Palmeiras x Portuguesa em 8 de setembro de 1991) estava sem voz e Milton foi chamado ás pressas para substituí-lo. E a partir dali, deixou de ser apresentador para ser narrador. Trabalhou na ESPN-Brasil, participando da cobertura das Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004 e do Mundial de Basquete de Indianápolis-2002 entre outros. Como diretor de jornalismo da Rádio Eldorado AM, foi o responsável pela reestruturação de toda a programação, organização da redação e ainda apresentar um programa de variedades, o "Panorama Eldorado".

Em 2005, foi contratado pela Globo, para trabalhar na Sportv. Participou da cobertura de 2 Copas do Mundo de Futebol (Alemanha-2006 e África do Sul-2010), dos Jogos Olímpicos de Pequim (2008), dos Campeonatos Mundiais Femininos de Basquete Feminino (Brasil-2006 e República Tcheca-2010), Mundial de Ginástica (Londres-2009), Jogos Pan-Americanos (Rio-2007), dentre outros, como Eliminatórias da Copa do Mundo....

Na Globo (TV Aberta), narrava, principalmente os eventos do Esporte Espetacular, nas manhãs de domingo. Foram competições de remo, vôlei, handebol, atletismo, kart... Em setembro de 2010, estreou no futebol da Globo. Como narrador esportivo, Milton Leite já conquistou vários prêmios. Os mais importantes: 5 vezes vencedor do Prêmio Ford-Aceesp, entregue anualmente pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo; Prêmio Comunique-se: finalista em 4 edições e vencedor em 2010.

Fonte: http://www.miltonleite.com.br

Depois desse vasto currículo, vamos à entrevista:

Carreira

MARCA ESPORTIVA: Como você se prepara para uma transmissão ? Você estuda os times e esquemas táticos ou vai só no conhecimento mesmo ?

MILTON LEITE: Nos dias de hoje não dá pra transmitir jogo só com o conhecimento. Leio tudo sobre os times, verifico escalações prováveis, vejo as características de jogadores que eventualmente não conheça, recebo uma pesquisa com dados históricos e curiosidades de cada equipe (uma empresa contratada pela TV faz isso), dali seleciono as informações que acredito serem relevantes...

Qual é o momento inesquecível da sua carreira ?

São quase 33 anos, por isso eleger apenas um é complicado. As duas finais de Copa do Mundo que transmiti (98 e 2010), provas marcantes de Jogos Olímpicos (a medalha de ouro do Cielo em Pequim, por exemplo). Tem muita coisa.

Qual foi a situação mais engraçada que você presenciou durante uma narração ? E a que te causou mais medo ?

Lembro mais de episódios que deram medo. A cabine do Sportv foi invadida por torcedores duas vezes na Vila Belmiro, passamos maus momentos. Lembro também de brigas históricas no Pacaembu, aquela tentativa de invasão da torcida do Corinthians numa eliminação de Libertadores diante do River Plate, ou aquela briga entre torcedores do Palmeiras e do São Paulo, numa final de uma competição júnior.

O que você sentiu quando narrou futebol na Globo pela 1ª vez ?

Primeiro, a realização profissional de qualquer profissional que consegue um espaço na quarta maior rede de TV no mundo. Depois uma certa tensão por enfrentar uma audiência tão grande, um público bem diferente do que estou acostumado na TV fechada e depois de tudo uma sensação de gratificação, porque percebi que fiz bem o meu trabalho e que posso crescer muito lá também.

Como é narrar uma Copa do Mundo ?

Pra quem gosta de futebol, não há evento como a Copa do Mundo. Você ter a chance de estar perto dos melhores jogadores do mundo, contando para as pessoas momentos históricos do esporte mais popular do planeta. Já tive a chance de ir a três. É o topo de qualquer profissional que trabalhe com jornalismo esportivo.

Na sua opinião, quem é o melhor narrador da atualidade ?

Tem muita gente boa. Acredito que Luciano do Valle e Galvão Bueno já são ícones, porque foram os dois responsáveis por a função ser hoje tão valorizada. Para selecionar um só entre os demais, citaria o Jota Jr, que sabe como poucos usar o veículo, contar a história do jogo.

Futebol


# Como você avalia o equilíbrio que estamos tendo nesse ano no Brasileirão ?

Na verdade esse não é um fenômeno deste Brasileirão. Quase todos os disputados por pontos corridos foram assim, a maioria só foi decidida na última rodada. Os clubes estão aprendendo a jogar essa competição longa, onde o que vale é a regularidade, o elenco mais completo.

# Qual time, na sua opinião, tem sido a maior decepção e qual a maior surpresa no Brasileirão ?

A decepção é o Flamengo, campeão do ano passado e que está lutando pra não cair. Não vejo nenhuma grande surpresa. Talvez o Botafogo, que sempre começa bem mas depois não resiste. E nesse ano está brigando forte pela Libertadores.

# Agora uma fácil, quem será o campeão brasileiro ?

Acho que está entre Fluminense e Corinthians. Um pouco mais para os cariocas.

# O que pensa sobre a inclusão de times norte-americanos na Libertadores ?

Sou contra, assim como não acho que valha a pena ter os mexicanos. A menos que o calendário seja alterado para permitir viagens tão longas, atrapalhando os campeonatos domésticos. Se é pra ganhar mais dinheiro coma  televisão, então é melhor repensar toda estrutura do futebol nas Américas, calendários, campeonatos nacionais, representação no Mundial de Clubes, etc.

Não acredito que os técnicos


tenham a importância que a


mídia costuma dar a eles.


# Você acha que o futebol brasileiro precisa de um calendário semelhante ao europeu ?

Precisar é uma palavra muito forte. Mas acho que seria melhor se tivesse coincidência de início e final. Não resolveria o problema da saída de jogadores, mas pelo menos eles não sairiam no meio do campeonato. Além do que, o calendário de competições da seleção brasileira também atrapalharia menos o campeonato brasileiro. Mas mais importante do que isso acho que seria reestruturar o nosso calendário doméstico e o calendário da Conmebol. Estaduais muito menores, Libertadores e Copa do Brasil se estendendo por todo ano....
# Sobre os técnicos, você acha que os times deveriam ter mais paciência ou tem que ser um trabalho a curto prazo ? Acha que um trabalho com mais longevidade tem mais chances de sucesso ?

Não acredito que os técnicos tenham a importância que a mídia costuma dar a eles. E acho que se o técnico não está funcionando, tem que demitir mesmo. Mas quando se demite com poucas semanas ou poucos meses é porque a contratação foi feita de maneira errada.

# Se te convidassem para ser técnico de um grande clube, você aceitaria ? Porque ?

Não. Porque se quisesse ser técnico tinha ido estudar pra isso. Estudei e tento me aprimorar todos os dias para ser jornalista.

# E se te pedissem uma indicação, entre os jornalistas, quem você indicaria ?

Função de jornalista não é indicar ninguém para cargo nenhum. E certamente, se fosse, não escolheria um jornalista, que não se preparou para isso.

Outros Esportes

# Você narra vários esportes (futebol, vôlei, basquete...). Qual o seu preferido para assistir e qual você gosta mais de narrar ?

Eu gosto muito de esporte, assisto a quase todos. Joguei vôlei quando era garoto, gosto de jogos equilibrados de basquete, adoro competições individuais como natação e atletismo.
# Você pensa que os outros esportes são preteridos frente ao vôlei e claro, ao futebol ? Acha que a imprensa brasileira participa desse "descaso" com os outros esportes ?

O processo é inverso. Os meios de comunicação não dão espaço porque as pessoas não consomem. O futebol tem tanto espaço, porque o público consome futebol e não gosta de consumir os outros. Porque se desse audiência, se vendesse jornal, os veículos dariam mais espaço. Infelizmente, o brasileiro não tem cultura esportiva, não entende da maioria dos esportes e por isso diz que não gosta. O Brasileiro, em geral, não gosta de esporte, gosta de ganhar, de vitória. Só assiste a um evento quando um brasileiro tem chance de ganhar.
# E a situação do basquete brasileiro. Acredita que no basquete masculino e feminino iremos recuperar o prestígio perdido ? O que pensa que deveria ser feito ?

Enquanto não se dedicar à formação de atletas, às categorias de base, não vai acontecer nada. O vôlei só chegou onde chegou quando começou a investir na base.
# Para finalizar, o que você falaria para os jovens que estão no começo de carreira ?

Que estudem muito, que leiam muito (não só a página de esportes, mas o jornal todo), leiam livros, vão ao cinema, vão a teatro...

2 comentários:

  1. Show de bola esta entrevista.. Dentre os narradores na atualidade é o meu preferido..
    Meu Deeusssss........ kkk...

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  2. Que beleeeza de entrevista, parabéns.

    Gostei muito da entrevista do Meligeni também.

    abraços.

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