Entrevistamos Alexandre Simoni, ex-jogador de tênis, chegou a ser o nº 96 do mundo, no ranking ATP. Ele conta um pouco de sua carreira, dá bronca nos dirigentes e muito mais, confira abaixo:
# Conte-nos um pouco da sua carreira.
Minha carreira tenística começou aos 10 anos, antes eu jogava futebol em um clube e comecei a me interessar pelo tênis por influência do meu irmão e meu pai que na época já jogavam, assim como todo filho caçula e irmão mais novo segui eles e deu certo.
# Qual o momento inesquecível ?
Acho que não teve somente um momento inesquecível, afinal são tantos anos e torneios que fica difícil de escolher, então vou falar alguns que nunca esquecerei.
Primeiro, meu primeiro troféu com 10 anos, vou lembrar para sempre, meu primeiro troféu como profissional também, ver seu nome entre os TOP 100 não tem preço, é muito saber que você alcançou um ranking muito alto, jogar Grand Slam ( Australian Open, Wimbledon e US Open ), Masters Series de Miami, minha estréia na COPA DAVIS, é demais defender seu país, seu nome ser cantado no estádio, não tem explicação, é uma sensação inexplicável, entre outros momentos inesquecíveis são as vitórias sobre jogadores top: Fernando Gonzalez, Guillermo Coria, Guillermo Canas, David Nalbandian, Flavio Saretta, Andre Sá, Ricardo Mello, Jaime Oncins, Franco Squilari, Nicolay Davidenko, Marat Safin, entre outros..
# E uma situação perigosa que você tenha passado ?
Graças a Deus, nunca passei por nenhuma situação perigosa, mas passar muito mal e ir para o hospital, passar fome e emagrecer 5 kilos em 2 semanas, viajar em aviões caindo aos pedaços, ficar em hotéis sem condições nenhuma, entre outros episódios, isso já passei algumas vezes.
# Como era conciliar as viagens com a vida pessoal ?
Viajar e conciliar com a vida pessoal era bem tranqüilo, pois sempre tive apoio dos meus pais e irmãos, então ficava mais tranqüilo, a parte ruim da história era ficar muito tempo longe da família, amigos pois tinha de viajar muito tempo durante o ano, em média 30 semanas, essa era a parte mais complicada pois era você, sozinho, e mais ninguém do seu lado.
# Você diz no texto que publicou no seu blog: “Outras pessoas e até ex-jogadores sempre estão à disposição e nunca são procurados (para ajudar sobre o tênis)”. Como os ex-tenistas poderiam ajudar ?
Acho que aqui no Brasil, os ex-jogadores não são valorizados, todos tem um currículo que poucos tem e poderiam ajudar e muito o tênis, mas o que se vê é o contrário, são poucos que estão realmente dentro da quadra para ajudar, então fica difícil, sem tirar os méritos de quem esta ajudando, mas uma coisa são pessoas que vivenciaram durante muito tempo aquilo, sabem o que precisa ser feito e podem cortar caminhos para os que estão começando e os outros tem vivencia de onde? Clube? Academia? Ver pela televisão? O buraco é mais embaixo, é só ver nos outros países, a maioria dos treinadores quem são ? A maioria é ex-jogador que jogaram alto nível.
Poderíamos ajudar de alguma forma dentro da quadra dando treinos, mas tem de estar na quadra, se não, não adianta. O Larry, por exemplo, olha o trabalho dele, ele esta o tempo todo lá dentro, o Jaime Oncins esta lá dentro também, Ricardo Acioly esta lá dentro, entre outros poucos. Mas é cada por si, sem ajuda de ninguém, é o caminho que resta, e o futuro do tênis brasileiro, qual será ?
"Eu estou a disposição para ajudar (o tênis brasileiro), enquanto ninguém procura, continuo fazendo meu trabalho"
# Você diz também que o tênis brasileiro está desunido. O que poderia ser feito para que essa união voltasse ?
Essa parte é complicada, prefiro nem falar muito, pois é um meio que meu Deus do céu...Sou da seguinte opinião: uma coisa é ser profissional e por em prática, as pessoas, independentemente se você gosta ou não, se é seu amigo ou não, tem de fazer parte do negócio, pois é para o bem do tênis e claro, para a gente também, os que não estão no mesmo nível precisam trabalhar mais para estar no nível dos outros um dia, assim como em todas as profissões, mas infelizmente, aqui no Brasil, é cada um por si e se você for amigo, entra no esquema, faz parte da panela, se não, está fora...
# Você acha que os ex-tenistas fazem pouco para ajudar o tênis ?
Acho que sim, não sei o que os outros pensam, mas eu estou a disposição para ajudar, enquanto ninguém procura, continuo fazendo meu trabalho, dando minhas aulas e treinos, vou fazer meu 3* SIMONI TENNIS (torneio) e sigo minha vida...
# O Fernando Meligeni tem um blog que chega a ter picos de 10.000 acessos ao dia (média de 5.000 acessos). Você acha que isso pode ser considerado uma boa divulgação para o esporte ?
Acho que a mídia faz parte da divulgação do esporte, mas sinceramente, não acho que faz diferença enquanto o esporte não chegar, por exemplo, nas escolas, projetos sociais, mostrar para o povo que o tênis é possível para todos.
"É a melhor sensação possível para um jogador profissional, um sonho realizado e o sentimento de dever cumprido por treinar muito, chegar longe e poder representar seu país em uma competição mundial, saber que você foi escolhido entre todos os Brasileiros para jogar pela seleção de seu país, é gratificante demais"
# Hoje temos 3 tenistas no top 100, número inferior parecido com que tínhamos na época do Guga. O tênis brasileiro parou no tempo ? O que precisa ser feito para que possamos voltar a evoluir ?
Na época só para corrigir eram 5 top 100: Guga, Meligeni, Andre Sá, Alexandre Simoni e Flavio Saretta..
Não acho que o tênis brasileiro tenha parado no tempo, o que eu vejo é que durante algum tempo ninguém queria saber de nada com nada, treinar que era bom,de jeito nenhum, estar focado no tênis e ser um grande profissional envolve muitas coisas e ninguém queria nada com nada, agora, aos poucos, a mentalidade, o foco, a determinação estão voltando e voltamos a ter 3 jogadores no topo 100, mas vale ressaltar que 2 já passaram dos 30 anos e não vão jogar durante muito tempo, e ai o que será feito para voltar a ter mais top 100?
# Você viu a derrota do Brasil para a Índia na Davis ? Foi doída, não ? O que acha que faltou para aquele grupo ?
Na verdade fiquei sabendo da derrota, não acompanhei os jogos, pois era de madrugada. Doí sim, já joguei Copa Davis por 3 anos e sei o sentimento de uma derrota, faz parte e tem de levantar a cabeça e seguir adiante, o que faltou para grupo? Difícil falar, quem estava lá pode dizer melhor.
# Como é representar o Brasil na Davis ?
É a melhor sensação possível para um jogador profissional, um sonho realizado e o sentimento de dever cumprido por treinar muito, chegar longe e poder representar seu país em uma competição mundial, saber que você foi escolhido entre todos os Brasileiros para jogar pela seleção de seu país, é gratificante demais. Tive o privilégio de participar por 2 anos do Grupo Mundial, é demais, não dá para descrever, só quem já jogou que sabe o que senti dentro da quadra.
# E sobre o Thomaz Bellucci, você acha que ele tem tênis para ser top 10 ? O que falta para ele chegar lá ? Acha que a parceria com o Larri pode render frutos ?
Acho que ele tem potencial para melhorar sim, mas precisa melhorar muita coisa ainda, movimentação, slice e variação de defesa, variações de fundo de quadra, voleio, variar mais o saque, ou seja , precisa ser um jogador muito diferenciado em alguma coisa para estar no top 10, só depende dele e do Larri, a motivação e a pessoa certa ele tem do lado, vamos torcer...
# O que você diria para alguém que está começando a carreira agora ?
Acho que basicamente quem estiver começando a jogar, o mais importante é entrar na quadra e curtir estar nela, jogar com prazer, treinar sério, escutar o treinador e estar bem concentrado no que precisa fazer, os resultados são uma conseqüência de suas atitudes e esforço, vale a pena..
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