sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tênis | Entrevista com o Fininho

Pessoal,


Entrevistamos, Fernando Meligeni, também conhecido como Fininho. Para quem não conhece, duvido que alguém não o conheça ou quer saber um pouco da história dele, segue um breve histórico.


Meligeni, como um tenista juvenil, venceu o Orange Bowl em 1989, terminando em terceiro no ranking mundial juvenil naquele mesmo ano. Virou profissional no ano seguinte, nas Olimpíadas de Atlanta em 1996, Meligeni alcançou a semi-final, onde foi derrotado pelo catalão Sergi Bruguera.


Em 1999, Meligeni teve sua melhor performance, chegando as semifinais em Roland Garros, alcançando a 25ª na posição do ranking mundial. Ele venceu os cabeças de chave número três Patrick Rafter, número 14 Felix Mantilla, e número seis Alex Corretja, mas perdeu nas semi finais para o ucraniano Andrei Medvedev.


Meligeni se aposentou do tênis profissional em 2003, vencendo sua última partida contra Marcelo Rios nos Jogos Pan-Americanos em Santo Domingo, conquistando a medalha de ouro para o Brasil.


Em 2005, Meligeni foi nomeado capitão do time brasileiro da Copa Davis, mas não ficou por muito tempo no cargo.


Hoje, ele escreve no “blog do Fininho”, onde dá suas opiniões sobre o tênis nacional e mundial.


Só como observação, é o esportista mais raçudo que eu já vi jogar na minha vida... Se aquela frase “Sou brasileiro e não desisto nunca” é verdadeira, ele deve ter sido a fonte de inspiração.


Nesta entrevista, Meligeni dá sua opinião a respeito de Bellucci, da CBT e de suas alegrias no esporte.


Confiram!


Como nasceu a sua paixão pelo tênis?


De pequeno, meu pai jogava, minha irmã também. Fui me apaixonando pelo esporte.


Quais as suas maiores alegrias dentro deste esporte? E as suas maiores tristezas ou decepções?


Com certeza ter feito uma carreira sólida e com vitórias importantes. Decepções... Tristezas é ver que o esporte evoluiu pouco e que os grandes nomes pouco espaço tem para ajudar


Com certeza o ouro no Pan-Americano, em Santo Domingo (2003), foi uma das suas grandes alegrias no tênis. Qual é a sensação de ganhar uma medalha de ouro para o Brasil?


Para mim foi mais importante ainda pela minha condição de ter nascido na argentina. Tinha que provar que eu podia representar bem o país que eu amo. Nunca esquecerei disso.


E qual é a sensação de ter sido um dos maiores tenistas do Brasil e ter um grande carinho do povo brasileiro?


Mais que ter sido bom tenista me alegra ter feito diferença para as pessoas. Acho muito legal ser reconhecido como atleta, mas muito mais como pessoa do bem e lutadora.


Você nasceu na Argentina, mas veio muito cedo para o Brasil. Quando os dois países se enfrentam em algum esporte, você fica com o coração dividido ou se considera 100% brasileiro?


Eu diferente de algumas pessoas não torço contra a Argentina. Eu gosto de lá e quero que eles se deem bem. Mas no confronto direto sou Brasil sempre, independentemente do esporte.


Você jogou na época em que o Brasil tinha o Guga, considerado o melhor tenista da história do país. Como foi para você jogar neste período? E, principalmente como foi fazer dupla com o Gustavo Kuerten?


Essa época foi muito legal, convivemos, nos divertimos, aprendemos um com o outro e conseguimos resultados incríveis nas duplas. A convivência sempre foi muito legal.



“Em 1.000 anos de tênis, nunca tínhamos chegado perto de vencer um Grand Slam no masculino só porque ele (Guga) venceu as pessoas agora pensam que outro vai vencer em qualquer momento”


Atualmente, o melhor tenista brasileiro é o Thomaz Bellucci (27º no ranking da ATP), com 22 anos. Qual a sua opinião sobre ele e o que você espera deste tenista para os próximos anos?


Acho ele um belíssimo jogador. Ainda é jovem e vem tendo uma grande pressão por causa do momento do nosso tênis. Acho que ele ainda pode evoluir muito e pode melhorar em vários aspectos. O que mais me chama a atenção nele é que ele é trabalhador e gosta de viajar. Isso é fundamental para um tenista melhorar


O Guga é tri-campeão do Grand Slam de Roland Garros (1997/2000/2001), mas depois disso não veio mais nenhum título de grande expressão para um tenista brasileiro. O que está acontecendo de errado? Falta mais apoio? Falta mais empenho de jovens atletas?


Não se pode comparar o Guga aos outros tenistas. Em 1000 anos de tênis, nunca tínhamos chegado perto de vencer um Grand Slam no masculino só porque ele venceu as pessoas agora pensam que outro vai vencer em qualquer momento.


Qual a sua opinião sobre a atual situação do Brasil na Copa Davis? A derrota para a Índia, após o Brasil abrir 2 a 0, te surpreendeu bastante?


Me surpreendeu e me deixou triste. Era uma ótima chance. Perdemos de um time inferior ao nosso e por inexperiência nossa. Uma pena. Ano que vem tem mais


Como ex-atleta, o que deve ser feito para ajudar o tênis a crescer?


Eu tenho a consciência tranquila que por várias vezes tentei, infelizmente tem horas que não adianta bater de frente. Me sinto sozinho nessa luta. Não me considero o dono da verdade mas tento opinar, avisar, ajudar e 99% das vezes fico sozinho nessa briga. Para crescer teríamos que ter os melhores tenistas na estrutura.


Você tem agora um blog, atualizado constantemente, como é ser comentarista de tênis ?


Duro, muitas vezes não entendem o que queremos dizer. Mas a minha intenção com o blog é falar de tênis, opinar sobre o esporte. Não tenho rabo preso ou conchavo com ninguém, por isso, ele machuca as vezes. No geral é muito show.


E ser capitão da Davis, como foi essa experiência ? Hoje, faria algo diferente ?


Cara, foi legal em partes e decepcionante em outras. Quando se pede ajuda a um atleta, te chamam para ser o capitão, o mínimo que merecemos é engajamento e ajuda. Infelizmente me decepcionei com atitudes e saí. Prometeram e não cumpriram.


Há algum tempo, você se "estranhou" com o presidente da CBT, Jorge Lacerda, por falta de transparência nas contas da entidade. Como está essa relação agora ? Acha que ele está fazendo um bom trabalho a frente da entidade ?


As pessoas tem que ser menos defensivas e atacar menos quando são indagadas. O Jorge ficou bravo demais com um pedido mais que normal que eu fiz. Sei que sou influente mas precisamos parar de ficar mudos e em cima do muro das coisas. Se eu tivesse atacado ele pessoalmente eu aceitaria fogo cruzado, mas ele errou ao me atacar como atleta.  Eu não tenho problema com ele, discordo da maneira que ele trabalha as vezes. Eu posso gostar ou não da gestão dele e ele pode gostar ou não de como eu jogava tênis. Ele vem melhorando o tênis, mas para mim é pouco ainda. Muito mais poderia estar se fazendo.


Se te convidassem a se candidatar a presidência da CBT, você aceitaria ? Quais seriam suas principais propostas ?


Não, não quero ser presidente, não quero ser o diretor técnico. Cada macaco no seu galho. Propostas? Não tem que ter propostas tem que fazer coisas. Já estamos cansados de promessas de campanha.


Para fechar, uma pergunta bem fácil, quem é melhor Nadal ou Federer ? Porque ?


Federer. Pelos números, pelos títulos e pelo talento.

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