quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A hora de parar

Ontem, um dos maiores craques da história do futebol, Ronaldo, informou que estava se aposentando. Com problemas de peso e de contusões, ele parou, para a maioria, na hora certa. Mas tem hora certa?

Muitos falam sobre Michael Schumacher estar "acabando com a sua reputação", voltando a correr. Outros dizem que Romário "manchou a carreira" com a busca incessante pelo gol 1.000. Outros dizem que Pelé fez certo em parar (ou melhor, parar de jogar no Brasil) antes da Copa de 1974, alguns falam de foi "burrada" de Michael Jordan, quando parou de jogar depois do 6º título pelo Chicago Bulls, mas voltou para mais 2 temporadas pelo Washington Wizards, onde não conseguiu levar o time aos playoffs, mesmo sendo o líder do time em pontos, assistências e roubos de bola. E eu levanto novamente a pergunta, tem hora certa?

Para mim, tem, mas não é a hora que os torcedores acham a certa e sim, a hora que o atleta não aguenta mais, está cansado da rotina, das concentrações. Imaginem o Ronaldo, com toda a fama e grana que tem, ficando em um hotelzinho chinfrim no interior paulista (nada contra o interior, mas o cara tem grana para ficar no melhor hotel de São Paulo), alugar um jato 4 horas antes do jogo, chegar no campo de helicóptero, jogar e ir embora. Porém, ele é "obrigado" a se submeter a concentração, como qualquer jogador. Uma hora essa rotina cansa, principalmente para quem não tem mais nada a provar. Não há mais aquele "tesão" de entrar em campo e "acabar" com o jogo.

Esse papo de se aposentar no auge funciona para alguns, mas alguns que param desse jeito ficam com “comichão” de jogar, mas fizeram o "certo": pararam no auge.

Alguns alegam que se não pararem no auge, ficarão com a imagem arranhada e os torcedores não se lembrarão deles no melhor da sua forma física e mental. É pura balela... Quando alguém fala em Garrincha, por exemplo, você pensa nele entortando as defesas na Copa de 1962 ou no final da carreira, quando recebia infiltrações e tinha problemas com as bebidas? Quando se fala em Bebeto, alguém se lembra de outro momento que não o gol contra a Holanda nas quartas-de-final da Copa de 1994? Ou, quando citam Jardel (o que jogou no Grêmio), você se lembra dele jogando em Manaus (ele ainda joga por lá, no Rio Negro) ou de uma das suas cabeçadas fulminantes contra o Palmeiras na Libertadores de 1995? 

Então, acho que Jordan, Pelé, Romário, Bebeto, Ronaldo e até Jardel fizeram (e fazem) o certo! Pararam  (ou vão parar) quando estavam preparados para parar. Alguns deles voltaram e pararam de novo, da melhor maneira possível, quando o amor ao esporte e a vontade de jogar não eram maiores do que as chatices (e contusões) que o “esporte-rendimento” tem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário