sexta-feira, 5 de novembro de 2010

MLB | O histórico do sofrimento dos Giants

Por Henrique


Quando Johnny Antonelli fechou o jogo 4 da World Series de 1954, garantido a varrida sobre os Indians e o 5º título da história para os, ainda, New York Giants, nem o mais pessimista dos fãs acreditava que aquela seria a última alegria do time no século. O futuro era promissor, Willie Mays, aos 23 anos, ainda tinha muito beisebol pela frente, e na rotação, Johnny Antonelli e Ruben Gomez, ambos com 26 anos e já no auge, venceram 38 jogos naquele ano.


Mas... 4 anos depois, os eternos rivais, Giants e Dodgers, se mudaram para a Califórnia para populzarizar o baseball no Oeste. Em 1962, já com os lendários Willie McCovey, Orlando Cepeda e os irmãos Alou fazendo companhia a Willie Mays, os Giants chegaram ao 7º e decisivo jogo da WS contra os Yankees. 9ª entrada, 2 eliminados, jogadores na 2ª e 3ª base, 1x0 Yankees no placar e o destino no bastão de McCovey. Ralph Terry, pitcher dos Yankees, deixou um arremesso no meio da zona, e McCovey aproveitou, rebatendo forte pro lado direito. Quando todos os torcedores do Giants já se levantavam para comemorar a vitória, Bill Richardson, 2ª base dos Yankees, num último esforço, pulou e fez a defesa, eliminando McCovey e adiando o sonho da taça em San Francisco.


27 anos depois, os Giants voltavam a World Series, com um ataque potente, liderado por Will "The Thrill" Clark (23 HR, 111 RBI, .333 avg) e Kevin Mitchell (47 HR, 125 RBI, .291 avg), e uma boa rotação. Mas os Athletics provaram ter mais time e varreram os Giants sem piedade. A taça estava na Bay Area pela primeira vez, mas não era em San Francisco ainda...


Em 2002, a quase 50 anos sem o título, os Giants estavam, novamente, na World Series. Dessa vez, o ataque era ainda mais impressionante, liderado por Barry Bonds (.370 avg, 46 HR, 110 RBI), líder em HR na história e que havia batido o recorde de HR em uma única temporada no ano anterior e Jeff Kent (.313 avg, 37 HR, 108 RBI), líder em HR para um 2ª base na história. Juntos, eles têm 8 títulos de MVP, mas nenhum título de World Series... Os Giants estavam a 5 eliminações do título no jogo 6, contra os Angels, quando cederam a virada. No jogo 7, valeu o "momentum" a favor dos Angels e, mais uma vez, a taça foi para a Califórnia mas escapou entre os dedos de San Francisco.


Agora, em 2010, quando o ano começou, tudo que os torcedores dos Giants esperavam era uma boa campanha, acima de 50% de aproveitamento e, quem sabe, beliscar uma vaga nos playoffs. Em 25 de agosto, faltando 34 jogos para o fim da temporada, os Padres lideravam os Giants por 6,5 jogos, mas, enfim, os deuses do baseball olharam para San Francisco e resolveram dar uma mãozinha. O time se agigantou, o Padres encolheu, e, com uma virada inesperada, os Giants chegaram na última série do ano, contra os mesmos Padres, precisando de apenas uma vitória em 3 jogos. Não podia ser sem sofrimento, e ela só veio no último e decisivo jogo, por 3x0, com uma atuação espetacular de Jonathan Sanchez, e, principalmente, do bullpen, que só cedeu 1 rebatida em 4 entradas.


Vieram os playoffs, a Série Divisional (NLDS), contra os Braves, e diversos Gigantes foram aparecendo... No jogo 1, Tim Lincecum e seus 14 strikeouts garantiram a vitória por 1x0; no jogo 2, Pat Burrell e Matt Cain foram brilhantes, mas o bullpen não aguentou até o fim; no jogo 3, Freddy Sanchez, Huff e Posey aproveitaram os 3 erros de Brooks Conrad e recolocaram o Giants em vantagem na série; no jogo 4, ouviu-se pela primeira vez o nome de Cody Ross, que bateu o HR da vitória.


Em seguida, os atuais bicampeões da NL, Philadelphia Phillies. Cody Ross continuou decisivo, carimbando o provável Cy Young desse ano Roy Halladay duas vezes e dando a vitória do jogo 1 aos Giants, 4x3; no jogo 2, Ross conseguiu outro HR, mas os Phillies foram superiores, 6x1; em seguida, Matt Cain foi espetacular, Aubrey Huff e Ross foram decisivos, e os Giants venceram o 3º jogo, 2x1; no jogo 4, o único onde os ataques prevaleceram, foi a vez de Juan Uribe acordar e, na última entrada, conseguir a rebatida de sacrifício da vitória; jogo 5, Roy Halladay queria revanche, e conseguiu, dominando o ataque dos Giants; jogo 6, 3ª entrada: Jonathan Sanchez perde a cabeça e sai do jogo, deixando 2 em base e 2x2 no placar. É a vez do bullpen aparecer nos playoffs e fazer jus a fama que conquistou durante o ano. Em 7 entradas, nenhuma corrida cedida e, como sempre, Brian Wilson entrou e fez seu trabalho, ou até mais, eliminando os últimos 5 rebatedores para dar mais uma chance dos Giants conquistarem o título.


Na final, o rival era o Texas Rangers, talvez o melhor ataque da liga, e que tinham derrotado, ou melhor, aniquilado os todo-poderosos Yankees na final da AL. Mas gigantes continuaram a aparecer... no jogo 1, todo o ataque acordou, liderado por Freddy Sanchez (4 rebatidas, 3 duplas) e trataram de carimbar Cliff Lee, um dos melhores arremessadores em playoffs na história, com nada menos que 7 corridas, e mais 4 em cima do bullpen, para vencer por 11x7; no jogo 2, os Giants contaram com a falta de controle do bullpen dos Rangers (foram 4 walks seguidos), e anotaram 7 corridas na 8ª entrada, vencendo por 9x0; jogo 3, Colby Lewis finalmente dominou o ataque dos Giants, e Texas venceu, 4x2; o jogo 4 teve mais dois heróis, o calouro Madison Bumgarner, a menos de um ano na MLB, arremessou 8 entradas e só permitiu que um adversário chegasse a 2ª base, enquanto o veterano Edgar Rentería, odiado por 10 entre 10 torcedores, que já tinha conseguido 2 rebatidas no jogo 2, conseguiu mais 3 nesse jogo. No 5º jogo, Lincecum e Cliff Lee estavam de volta ao montinho, para reeditar o duelo do jogo 1, e, dessa vez sim, foi um duelo de arremessadores. Até que, na 7ª entrada, Edgar Rentería cresceu mais que todos e rebateu um HR que, no papel, foi apenas até as primeiras fileiras do Rangers Ballpark in Arlington, mas, para os fãs do Giants, foi do tamanho de San Francisco, do tamanho do jejum de títulos, do tamanho da explosão de felicidade que ocorreu em cada torcedor. Depois disso, todos sabiam que a série estava acabada, que os Giants não dariam outra chance ao azar. Tim Lincecum e Brian Wilson trataram de garantir que os Rangers não voltariam mais. Resutado: 3x1 Giants no jogo, 4x1 na série e taça estava finalmente em San Francisco.


Depois de tantos times brilhantes, com ataques fenomenais, rebatedores super-potentes, o time que levou o Giants ao título era composto de rebatedores não tão bons assim, mas um grupo de arremessadores incomparável, uma defesa que dificilmente errava e, principalmente, por uma equipe de jogadores, que, juntos, superaram todas as fraquezas individuais, que foram capazes de anular qualquer ataque, de vencer qualquer arremessador, que mostraram que a união de um grupo pode vencer qualquer adversário, por maior e mais forte que ele seja.


Parabéns a todos os jogadores, técnicos e diretores que participaram da conquista! Mas, em especial, parabéns ao gerente geral Brian Sabean, que depois de tantos erros durante tantos anos, finalmente juntou as peças certas, contratando jogadores descartados por outros times, como Cody Ross, José Guillén e Pat Burrell, que foram fundamentais, se não na final, em algum ponto da temporada e que, sem eles, talvez os Giants nao tivessem chegado lá. Parabéns também ao técnico, Bruce Bochy, que também virou um gigante nos playoffs, mostrando não ter medo de mudar o time sempre que foi preciso, de barrar quem estava mal, independente do salário ou da fama, mostrando, depois de tanto tempo, ter alma de campeão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário