sábado, 12 de março de 2011

NFL | E agora?

Ontem, às 19 horas no horário de Brasília, a NFLPA (Associação de Jogadores da NFL), por meio de seu presidente, DeMaurice Smith (foto abaixo, Getty Images), anunciou oficialmente que a associação estava oficialmente fora das negociações que visavam um novo acordo coletivo de trabalho (CBA) entre a NFL, os donos dos 32 times e os jogadores. Esse é apenas o começo de uma briga que tem tudo para terminar na Suprema Corte dos EUA e que ameaça a realização da temporada 2011 do futebol americano.

As negociações entre as partes começaram logo após o Super Bowl e chegaram a tal ponto que um mediador federal teve que ser convocado para conduzir as rodadas de discussões que poderiam levar a um novo acordo trabalhista, já que o atual expiraria no último dia 4. Entretanto, as conversas foram prolongadas por mais 1 semana, num sinal claro de que as partes queriam chegar a um acordo.

Entretanto, as propostas que a NFL (representada por seu comissário, Roger Goodell) e os donos dos times propuseram nas últimas horas antes do prazo final desagradaram a NFLPA e culminaram no final das negociações no início da noite de ontem. Entre estas propostas, as principais foram:
- Manter o formato atual de temporada (4 jogos de pré-temporada + 16 jogos de temporada regular + 2 ou 3 jogos de playoffs + Super Bowl) por, no mínimo, 2 anos, de forma que qualquer mudança neste calendário seria feita apenas com o consentimento da NFL e da NFLPA;
- Garantir um novo fundo de aposentadoria para ex-jogadores, no qual
US$ 82 milhões viriam dos donos de times nos próximos 2 anos;
- Medidas sobre a saúde dos atletas, como a diminuição do número de semanas de atividades na inter-temporada (de 14 para 9) e do número de semanas de atividades coletivas oficiais antes do início da temporada (de 14 para 10).

As notas oficiais da NFLPA e da NFL sobre o fim das negociações podem ser lidas neste link, no site oficial da liga.

Os donos dos times, após o fracasso das negociações, planejaram o início de um lockout a partir da meia-noite de hoje no horário de Washington (2 da manhã no horário de Brasília). Na prática, isso quer dizer que os jogadores estão impedidos de entrar nas dependências de seus times e até mesmo de entrarem em contrato com seus times (daí o nome lockout, que numa tradução livre pro Português, significa "trancaço") até que o acordo de trabalho esteja definido. Até mesmo os salários dos jogadores são congelados. Trata-se, portanto, de uma "greve ao contrário", já que os jogadores são impedidos de exercerem sua profissão.

E é baseado nisso que espera-se que os jogadores entrem na Justiça contra a NFL e os donos de times, uma vez que, segundo a NFLPA, essa atitude limita (ou até mesmo esvazia)
o mercado de trabalho para esses atletas, já que não há uma liga de futebol americano tão forte (em termos financeiros) e competitiva quanto a NFL. O cenário, na verdade, é pior do que se imagina porque há informações de bastidores que garantem que alguns dos melhores jogadores da liga como Tom Brady, Peyton Manning e Drew Brees (foto à direita, Getty Images) entrarão nessa discussão judicial.

Não há dúvidas de que as partes chegarão a um acordo, seja por vias normais, seja pela Justiça norte-americana. A questão agora é saber se isso prejudicará o andamento da temporada 2011 da NFL (isso, é claro, se ela acontecer). Mas uma coisa está muito clara neste momento: a reputação de Goodell está indo por água abaixo, uma vez que ele não teve a habilidade de conduzir a negociação da forma mais tranquila possível. Isso porque essas discussões começaram no final da temporada 2010, quando a hipótese de se instituir uma temporada regular com 18 jogos foi levantada pelo comissário da liga (algo que a NFLPA nunca aceitou, não apenas pelo risco maior de lesões mas pela certeza de que os salários dos jogadores não aumentariam).

Para os fãs da NFL, pouco importa quem vai vencer essa disputa: eles já perderam.

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