sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

NFL | Kurt Warner, o melhor não draftado de todos os tempos

Kurt Warner, para quem não sabe, é um ex-jogador de futebol americano e jogava na posição de QB. Jogou por 3 times da NFL (St. Louis Rams, New York Giants e Arizona Cardinals).

Porém, nem tudo foram flores na sua carreira.
Quando jogou por Northern Iowa, no Futebol Americano Universitário, ele não foi titular da equipe até o último ano de faculdade (ele era o 2º reserva), quando teve sua chance. Foi o melhor jogador ofensivo da Conferência (1993).


NÃO DRAFTADO
No Draft de 1994, porém, ele não foi selecionado por nenhuma equipe. O Green Bay Packers o convidou para participar do training camp, contudo, o time já tinha vários QBs de qualidade (Brett Favre, Mark Brunell e vencedor do Heisman Trophy de 1990, Ty Detmer) e ele foi dispensado.

Então, Warner foi trabalhar como repositor em um supermercado antes de voltar a Northern Iowa para ser assistente técnico, enquanto aguardava uma oportunidade em um time da NFL.



AFL

Porém, essa oportunidade não apareceu e Warner decidiu dar rumo a vida, foi jogar na AFL (Arena Football League) pelo Iowa Barnstormers. Lá jogou por 2 anos, foi eleito para a seleção do campeonato nos dois anos e levou seu time ao Arena Bowl nos dois anos (perdendo nas duas oportunidades, 1996 - Tampa Bay Storm e 1997 - Arizona Rattlers).
Em 1997, o Chicago Bears o convidou para um tryout (espécie de teste para contratação de jogadores). Porém, Warner deu azar de novo e teve uma contusão no braço direito causada por uma aranha que o picou na Lua de Mel, não podendo assim participar do teste.

NFL

Em 1998, finalmente, ele conseguiu um contrato na NFL. Foi com o St. Louis Rams, sendo cedido ao Amsterdam Admirals, da extinta NFL Europe, onde ele liderou a liga em TDs e jardas passadas. Na temporada de 1998 da NFL (a temporada da NFL Europe não coincidia com a temporada da NFL), Warner foi o 2º reserva, ele entrou apenas em 1 jogo, acertando 4 de 11 passes para 39 jardas. O St. Louis Rams terminou em último da NFC West com 4 vitórias e 12 derrotas.

A virada, na carreira de Warner, começou a acontecer em 1999. Os QBs Tony Banks e Steve Bono foram dispensados e Trent Green foi contratado para ser o titular e Warner foi promovido a 1º reserva. Green sofreu uma contusão ainda na pré-temporada e Kurt tomou a posição de titular e, com Marshall Faulk (RB), Isaac Bruce (WR) e Torry Holt (WR), colocou os Rams como o melhor ataque da liga. Foi a primeira temporada de 3 consecutivas que o time fez mais de 500 (!) ponto. Esse ataque foi chamado de “Greatest Show on Turf” (Uma tradução livre seria mais ou menos como, o maior show em campo).

Warner se tornou o 1º quarterback a lançar para 3 TDs em suas 3 primeiras aparições como titular (feito ainda inigualado) e conseguiu comandar o ataque a uma campanha de 13-3, ficando com o seed #1 e garantindo o home-field advantage (mando de campo) para a pós-temporada. De quebra, ele ainda ajudou os Rams a encerrar uma sequência de 17 derrotas consecutivas contra os 49ers (que haviam vencido 12 das últimas 13 vezes a NFC West), lançando para 5 (!) TDs na semana 5 da temporada.
O desconhecido jogador, que não havia nem sido draftado, foi eleito o MVP da temporada.

Warner levou o time de St. Louis ao título do Super Bowl XXXIV, com uma vitória sobre o Tennesse Titans por 23 x 16, lançando para 2 TDs e quebrando o recorde de jardas lançadas na história do SB (414) e de passes tentados sem interceptação (45). O último lance desse jogo ficou conhecido como “The Tackle”, quando Mike Jones do Rams fez o tackle em Kevin Dyson dos Titans a uma jarda (ou meia, se preferirem) do possível TD que empataria o jogo e o levaria para a prorrogação. Warner foi eleito MVP do jogo e entrou no seleto grupo de MVPs da temporada e do Super Bowl, foi o 7º (entre esses estão Joe Montana, Emmith Smith, Joe Namath, Steve Young, entre outros).
Em 2000, a fera continuou no mesmo ritmo, lançando para 300 ou mais jardas em 6 jogos consecutivos no início da temporada (empatando o recorde de Steve Young). Entretanto, Warner quebrou a mão na Semana 13 e viu Trent Green manter a qualidade do time. Porém, a defesa não ajudava, o time encerrou a temporada com 10-6 e com o seed #6. Nos playofs, o New Orleans Saints eliminou os Rams, com uma vitória por 31 x 28. No final do ano, Trent Green foi negociado com o Kansas City Chiefs.


Em 2001, Kurt Warner voltou a jogar bem, os Rams voltaram a vencer seus 6 primeiros jogos na temporada (3ª vez seguida, recorde da NFL, que viria a ser igualado pelo Indianapolis Colts de Peyton Manning no período de 2005-2007). Os Rams se classificaram com a melhor campanha da NFL (14-2) e Warner conseguiu a 3ª maior marca da história em jardas lançadas - 4.830 jardas (Dan Marino é o recordista com 5.084 jardas) e os Rams chegaram mais uma vez ao Super Bowl, como grandes favoritos. Depois de perderem por 17-3, Warner liderou o time para o empate, mas depois de uma boa campanha de Brady, Adam Viniatieri, com 3 segundos no cronômetro, acertou um FG de 48 jardas para dar a vitória aos Patriots e alcançar uma das maiores zebras da história. Dois detalhes importantes do jogo, os Rams conseguiram 427 jardas, enquanto os Patriots, 265. Porém, 3 turnovers forçados pelos Patriots, levaram o time a conseguir 17 pontos.
Warner jogou mal em 2002, rating de 67.4, 3 TDs e 11 INTs e ainda, de quebra,  algumas contusões. Em 2003, a gota d’agua ocorreu quando ele sofreu 6 fumbles no 1º jogo dos Rams contra os Giants, Marc Bulger o substituiu. Parecia o início do fim da carreira de Kurt Warner.

Depois de dispensado pelos Rams, Warner assinou com os Giants, começando bem a temporada de 2004, com 5 vitórias em 7 jogos, porém, depois de 2 derrotas seguidas, Eli Manning (nº 1 do draft do ano) entrou no time e,  mesmo o time não jogando bem (1-6), não saiu do time principal e mais uma vez Warner teria que procurar outro time.

Em 2005, Warner fechou contrato com o Arizona Cardinals para ser titular. Depois de se contundir e ver Josh McCown o substituir, McCown jogou 2 bons jogos, porém 2 jogos ruins e Kurt re-assumiu o time, jogando muito bem, inclusive derrotando seu ex-time, os Rams, por 38-28 e conseguindo a renovação do contrato.

Em 2006, Warner começou como titular. Mas depois de 3 jogos ruins, Matt Leinart, vencedor do Heisman Trophy de 2005, tomou a posição e só saiu quando machucou o ombro na semana 16 contra os 49ers, Warner entrou e levou o time a vitória, assim como lançou para 365 jardas na Semana 17, mesmo perdendo para os Chargers (27-20).


Em 2007, mais uma vez, Leinart seria o titular, e foi assim até a semana 4, quando perdendo por 23-6 do Baltimore Ravens no último período, o técnico Ken Whisenhunt mandou Warner a campo, e com uma reação sensacional, acertando 15-20 passes e 258 (!) jardas empatou o jogo 23-23, mas um field gol com cronômetro zerado deu a vitória aos Ravens. Depois de mais algumas disputas de posição, Leinart foi colocado na lista de machucados e Warner jogou os outros jogos da temporada, os 27 TDs, as 3.417 jardas e o rating de 89.8 eram os melhores de Warner desde de 2001.

Em 2008, Warner começou a temporada como titular e jogou demais! Com 4.583 jardas, 30 TDs e ainda 67,1% dos passes completados, Warner levava os Cardinals a sua 1ª pós-temporada desde 1998. Kurt Warner, ainda foi selecionado como titular para o Pro Bowl.
Na pós-temporada, o Arizona era o azarão. Parecia não ter chances contra nenhum dos outros times. A primeira partida de playoffs em casa, desde 1947, seria contra os Falcons, e a zebra venceu 30-24 com 2 TDs de Warner. O jogo seguinte seria contra o Carolina Panthers, na Costa Leste, lugar onde Arizona não havia conquistado nenhuma vitória na temporada. E mais uma vez, Warner e companhia se sobressaíram, 33-13. Contra o Philadelphia Eagles, ninguém mais achava que uma vitória de Arizona seria uma zebra, mesmo o favoritismo era do time de McNabb. Com um início avassalador, Warner praticamente conseguiu garantir a vitória no 1º tempo, e no fim, os Cardinals venceram por 32-25, conseguindo a vaga para o Super Bowl pela primeira vez na história. Kurt Warner era o 2º QB a ser titular no Super Bowl por 2 times diferentes. De quebra, ainda era o único QB na história a levar TODOS os seus times ao Super Bowl quando jogou todos os jogos da temporada.

O Super Bowl XLIII foi um dos melhores de todos os tempos. Um ataque embalado (Cardinals) contra a melhor defesa da Liga (Steelers). Ninguém apostava nos Cardinals e a derrota ficou evidente quando Jeff Reed chutou um FG de 21 jardas para dar aos Steelers a vantagem de 13 pontos (20-7). Porém, do outro lado havia um tal de Kurt Warner, primeiro um passe de 1 jarda para Larry Fitzgerald (que não é o tema desse post, mas também jogou e joga muito), cortando a diferença para 6 pontos. Depois de uma segurada dentro da endzone, a diferença era de 4 pontos e então viria a jogada mais incrível da noite. Passe de Warner para Fitzgerald, ele evita a defensiva dos Steelers e corre para um TD de 64 jardas. O mundo não acreditava - 23 x 20 Cardinals. Mas, os Steelers e Big Ben, tiveram sangue frio suficiente para um drive de 78 jardas em 2:02 min e com um passe de Big Ben para Santonio Holmes (que fez uma recepção fantástica, diga-se de passagem) deu a liderança para Pittsburgh - 27x23, restando 35 seg. Era tarde para Warne, derrotado no Super Bowl. Mas tem seu nome escrito na história. Suas 377 jardas foram a 2ª maior marca da história (a 1ª de 404 jardas e a 3ª de 365 também eram dele).

Em 2009, Warner ainda fez um campeonato magnífico (26 TDs, 3.753 jardas e 93.2 de rating), levando sua equipe, mais uma vez, aos playoffs. Depois de uma vitória sensacional (maior quantidade de pontos combinados na história dos playoffs) 51-45, lançando 5 TDs e incríveis 29-33 em passes. Ele ainda de quebra, conseguiu o 2º maior rating da história dos playoffs (154.1). No Divisional, contra os Saints, ele se machucou no 1º tempo, voltou no 2º, mas visivelmente sem condições físicas, deu lugar novamente a Matt Leinart, na derrota de 45-14.

Em 29 de janeiro de 2010, Kurt Warner se aposentou (e não voltou a jogar, né, Brett Favre?) e hoje é comentarista da NFL.com

Um grande atleta e exemplo de que, mesmo na adversidade, nunca devemos desistir  e sim, lutar.

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